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Tom apareceu na sala ao ouvir risadas vindas do sofá. Seu olhar rapidamente caiu sobre Beck e uma garota ao lado dele — olhos claros, cabelos ondulados, um sorriso doce. Era a primeira vez que eu a via.

— Pai, mãe — disse Beck, se levantando um pouco ansioso — essa é a Emma. A garota que falei pra vocês. Queria apresentar ela pra vocês oficialmente.

Tom se aproximou, caloroso como sempre, e estendeu a mão.

— É um prazer te conhecer, Emma. Eu sou Tom Kaulitz, e essa aqui é minha esposa, S/N.

Emma sorriu, educada e simpática.

— O prazer é todo meu, Sr. Kaulitz. Seu filho... é muito especial pra mim. Espero que a gente se dê bem.

Sorri com delicadeza, mas meu lado materno, protetor, sempre falava mais alto. Senti que era hora de conhecê-la melhor. Olhei pra ela, mantendo um tom sereno:

— Emma... podemos conversar um pouco a sós?

Ela assentiu com a cabeça e me seguiu até uma das salas mais reservadas. Fechei a porta e me sentei, observando-a. Ela parecia um pouco nervosa, mas ao mesmo tempo madura, segura de si.

— Me conta mais sobre você, Emma.

— Claro... meu nome é Emma Aubinet. Eu sou da França. Me mudei pra cá há pouco tempo com meu pai. Meus pais se separaram recentemente, e tá sendo bem difícil pra gente. Meu pai teve que abrir mão de muita coisa, inclusive do dinheiro que guardava pra minha faculdade. Mas eu não me importo. Eu só quero ajudar ele e aproveitar o tempo que a gente ainda tem juntos.

Eu a escutava atentamente, sentindo o coração apertar.

— Você trabalha?

— Sim. Em uma lanchonete perto do centro. Não é muito, mas já ajuda. Quero aliviar um pouco do peso dele... não quero que ele tenha que escolher entre me ajudar ou colocar comida na mesa.

— Você pensa em voltar pra faculdade?

— Sim. Eu sonho em ser médica. Sempre quis isso... não importa o tempo que leve. Eu vou conseguir.

Senti um orgulho súbito daquela menina sentada à minha frente.

— Emma... você é uma garota incrível. Determinada, pé no chão. Se algum dia precisar de ajuda, ou de uma mão estendida, pode contar comigo. De verdade.

— Sra. Kaulitz... muito obrigada. Eu nem sei como agradecer.

Sorri.

— Agora... me diga, com toda sinceridade. Quais são as suas intenções com o meu filho?

Ela ficou um pouco corada, mas manteve o olhar firme.

— Eu gosto do Beck, de verdade. Ele é gentil, respeitoso... é fácil gostar dele. Ele fala de vocês com tanto carinho. Eu só quero conhecê-lo melhor, sem pressa, sem forçar nada. Se for amor... vai acontecer com o tempo. Mas eu nunca machucaria ele.

Respirei fundo, aliviada e tocada pela maturidade dela.

— Só quero proteger meus filhos, Emma. Sei como o amor pode ser... doce e cruel ao mesmo tempo.

— Eu entendo. Eu respeito isso. E também quero proteger o que eu sinto.

Terminamos a conversa em harmonia. Quando saímos da sala, vi Tom na cozinha, com uma taça de vinho na mão e um cigarro entre os dedos. Suspirei. Eu odiava quando ele fazia isso na frente das crianças.

Antes que eu pudesse dizer algo, uma voz conhecida preencheu a sala.

— Você tá maravilhosa, como sempre.

Me virei e meus olhos se encheram d'água ao ver Mia ali, parada na porta, com um sorriso cheio de saudade.

Corri até ela e a abracei como se o tempo não tivesse passado. O abraço dela me envolveu forte, e senti o quanto ela também segurava o choro.

— Meu Deus, amiga... eu senti tanto sua falta! — sussurrei.

— As crianças estão enormes! E você... tá uma gata, viu?

— Você também! Como estão seus pais?

— Estão bem agora. Estáveis. Contratei uma equipe de cuidados... deu certo. Eu precisava voltar.

— Que bom... porque aqui também aconteceram muitas coisas. E você perdeu todas as fofocas.

— Então desembucha logo.

— Heidi Klum resolveu transformar minha vida num inferno. Vive dizendo que o Tom me trai com ela. Até deu entrevista!

— Ah, essa víbora. Nunca engoli. Mas amiga... o Tom é seu. Ele te ama. E vocês têm dois...

— Três filhos agora.

— O quê?!

— Tô grávida.

— Ai, amiga! Parabéns! — ela me abraçou com força de novo. — Vocês estão montando uma creche mesmo. Mas tô tão feliz por vocês.

Nesse momento, Tom e Georg chegaram com vinho nas mãos. Georg entregou um copo a Mia.

— Agora temos outro motivo pra brindar: a volta da Mia.

— Obrigada, gente. É bom demais estar de volta.

Antes que eu pudesse responder, Bill se aproximou devagar.

— Mia... posso falar com você?

Ela assentiu, e os dois saíram da sala.

(S/N Off)

(Bill On)

Caminhamos em silêncio até a garagem. Me encostei no carro e a observei por um momento. Mia ainda era a mesma... mas algo nela estava diferente. Mais forte. Mais serena.

— Me desculpa, Bill. Por ter ido embora daquele jeito. Por ter sumido.

— Não importa. O que importa é que você está aqui. E bem. Eu senti sua falta, Mia... muita falta.

Ela me olhou nos olhos e me abraçou. Senti que aquele abraço guardava saudade, mágoa, amor.

— Eu também senti sua falta. Mesmo nos dias bons... você me fazia falta.

Meus braços a apertaram mais forte. O perfume dela ainda era o mesmo. E despertava as mesmas lembranças.

Ela se afastou um pouco, mas não o suficiente. Seus olhos encontraram os meus com firmeza.

— Bill... eu ainda te amo.

Meu coração parou por um instante. Fiquei sem palavras. Apenas a olhei, perdido entre o agora e tudo que vivemos.

🎸 Entre Acordes e Destino- Tom kaulitzHistórias para pegar e não largar. Descubra agora