Capítulo 12

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Todos ouviam e absorviam as palavras de Feyre, mas para alguns deles - como Cassian por exemplo - que ainda sentiam uma pequena pulga, em relação às irmãs da parceira de seu Grão-Senhor.

Rhysand compartilhava dos mesmos sentimentos de seu círculo íntimo, e podia dizer o que eles estavam pensando agora - literalmente -, entretanto, escolhia deixar para que outra pessoa tocasse em tal assunto, afinal não estava com pressa para invocar a ira de Feyre.

Mas foi Cassian quem correu o risco de espor seus pensamentos. Nenhum deles tinha certeza de como Feyre reagiria a comentários negativos sobre suas irmãs, já que por todo tempo ela demonstrava o amor que sentia por elas, e as defendia. Eles não sabiam o esperar, mas Cassian estava entalado demais para aguentar.

"Feyre..." sua voz continha uma nota de hesitação "tudo que diz sobre suas irmã é lindo. É lindo ver o amor que sente por elas, mas... mas ainda não me parece certo como elas podiam deixar você entrar na floresta e arriscar sua vida caçando comida, enquanto elas permaneciam em casa seguras. Você era só uma criança!" Cassian despejou seus sentimentos.

Feyre apertou os lábios em linha fina. Ela sabia que sua história é de suas irmãs podiam ser interpretadas de formas diferentes se mal contadas, e ela sabia também o receio deles, e como cada um naquela sala estava tomando sua dores para si desde que haviam estabelecido um relacionamento entre eles, mas por mais que gostasse, amasse, cada um ali, ela jamais permitiria que injustiças fossem jogadas sobre suas irmãs.

"Às coisas não são tão simples assim, Cassian. Eu nunca fui uma criança, nenhuma de nós foi. Por a miséria, o infortúnio e a crueldade que mundo pode proporcionar jamais permitiriam tal coisa" a voz de Feyre era séria e firme, mas compassiva. "E minhas irmãs tão pouco me deixavam me caçar. Pelo menos não no início"

"Como assim, Feyre, querida?" Rhysand proferiu a dúvida de todos.

"No início, quando perdemos tudo, tínhamos alguns recursos para nós manter. Quanto Elain percebeu que os negócios de nosso pai estavam indo de mal à pior, ela começou a se preparar para um futuro inevitável" disse. "Os primeiros três anos na cabana, foram anos tranquilos, não tínhamos muitas preocupações, mas quando nossos recursos começaram a diminuir tivemos que começar a tomar medida" continuou.

"Sua irmã Elain parece algum bastante sabia" disse Amren.

Feyre se surpreendeu com o comentário positivo. "Ela é. Não acho que existam muitas garotas de doze anos que consigam manter uma família de quatro pessoas como ela fez." Não havia qualquer falta de admiração nas palavras de Feyre. "Quando as coisas começaram a apertar Elain arrumou um emprego em uma padaria na cidade, não pagava muito, mas era melhor do que não ter nada, mesmo quando insisti que ela saísse daquele emprego medíocre quando descobrir que o dono a assediada e a esposa dele não a poupava humilhações, Elain não saiu de lá, por que não podia arriscar deixar nossa família passar fome" disse.

Amren franziu o cenho para as palavras de Feyre. Elain. De novo Elain. Não qualquer outra pessoa, mas Elain.

Cassian se sentia culpado por ter desmerecer as irmãs de Feyre, mas ainda assim questionou. "Isso ainda não explica você ter que ir caçar"

"Quando a aldeia começou a aldeia entrou em crise, o preço de tudo começou a se tonar um pouco insustentável, foi então que eu sugeri começar a caçar como forma de ajudar nas despesas. Eu havia aprendido observando os outros caçadores na floresta e minhas irmãs sabiam disso. Elain não esperou nem um segundo sequer antes de negar a ideia, e embora Nestha não tenha dito nada, sua expressão que ia além do descontentamento, já dizia por si so" falou.

"Então como foi que você acabou começando a caçar?" A pergunta partiu de Morrigan.

Feyre sorriu. Um sorriso travesso e esperto, com um toque de malícia e diversão, que fez Rhysand suspirar com o pequeno puxão no frente, e fazer seus irmãos lhe lançarem um olhar cheio de zombaria pelo cheio.

"Maldita teimosia Archeron" Feyre recitou. "É o que eu e minhas irmãs usamos para protestar contra a obstinação e renitência que está impregnado em cada uma de nós. Em nosso sangue" explicou. "Eu nunca aceitaria um de forma tão passiva. Não quando não podia olhar minhas irmã fazendo o que podiam para nós ajudar a nos manter. Elain trabalhava fora conseguido dinheiro, e Nestha cuidava da casa e mantia intrusos fora com seu olhar de matar" disse.

"Você foi caçar contra a ordem delas, não foi?" Azriel perguntou. Um tiro certeiro.

"Fui. Fugi para a floresta ao amanhecer do dia, e fui caçar sem o consentimento delas, deixando apenas um pequeno bilhete de aviso. Elas ficaram uma fera, Elain surtou. Elas inicialmente iriam atrás de mim, mas com o trabalho e os deveres de casa elas tiveram que adiar minha buscar. Quando cheguei em cada horas depois, após o almoço com uma corça e um par de coelhos, elas estavam em nossa pequena sala. Elain andava de um lado para o outro em frente a lareira, parecendo que ia surtar a cada momento, e Nestha sentada no sofá parecia que ia surtar se Elain continuasse a se mover" disse.

"Elas devem ter ficado muito chateadas" Questionou Rhysand.

"E como ficaram. Nunca as vi tão bravas, ou Elain gritar tanto. Na verdade acho que nunca havia visto Ella gritar até aquele momento, embora as vezes parecesse que ia surtar, Ella sempre foi muito controlada. Depois de receber um sermão de quase uma hora de Elain, tive que escutar um segundo sermão de Nestha. Um longo e temeroso sermão. Enquanto ela brigava comigo, Elain me aquecia em frente a lareira com agasalhos e mantas. No fim elas permitiram que eu fosse caçar, mas apenas por que viram que não poderiam me impedir" disse, um pequeno sorriso nos lábios representando dua obstinação. "E eu não era tão mais jovem assim, já tinha dezesseis quando comecei a caçar"

"Isso ainda é muito jovem, Feyre, querida" apontou Rhysand.

"Eu tinha dezenove quando nos conhecemos, e não faz muito tempo que completei vinte anos, Rhys. Por suas definições eu ainda sou muito jovem, mas isso não impediu ou impedi você de me venerar em nossa cama, ou faz?" Acusou Feyre. Cassian gargalhou, a garrafa de vinho na mesa agora vazia. Rhysand se limitou a corar. "Só por que você é um velho sentenario e ranzinza que já viveu demais, não quer dizer que eu era muito jovem. A concepção de juventude humana e feérica é muito diferente, lembre-se. Para vocês Isso é jovem, mas para os humanos, aos dezesseis anos, eu já deveria estar casada e com filhos, ou pelo menos noivando" apontou Feyre.

Isso era uma verdade inegavio. O tempo para os humanos era diferente para os feéricos, ele passava mais rápido. Em um piscar de olhos.

"Como acha que será amanhã? Alguma chance de termos alguma simpatia de suas irmã?" Perguntou Cassian ao último gole de sua taça de vinho.

"Se não fizerem nada estúpido, terão toda a educação e simpatia delas" disse. "Entretanto, não posso assegurar que seu Grão-Senhor voltará sem um pedaço faltando" Feyre deu um olhar cheio de zombaria ao parceiro.

Rhysand se assustou. Tentariam prejudicar sua perfeita beleza?

"Por que diz palavras tak vis, Feyre querida?" Perguntou.

"Você é o mancho que possuiu a pequena irmãzinha caçula das Archeron, sem nem mesmo pedir a benção delas. Acha mesmo que elas vão te perdoar por tal afronta?" Malícia enfeitava os lábios de Feyre. "Elas vão fazer picadinho de você, Rhys, querido" disse doce como uma amante, como se não tivesse acabado de dizer que Rhysand poderia perder o bem mais precioso de um macho ou de um homem, caso não agradasse as irmãs dela.

Pela palidez que possuiu o rosto de Rhysand e por seu engolir em seco, o círculo íntimo gargalhou. Cassian e Morrigan bêbados no sofá se agarrando um ao outro pra não cair. Azriel nem mesmo tentou esconder seu sorriso cheio de zombaria ao irmão. E Amren se absteve em revirar os olhos para Cassian por suas palhaçadas.

Que a Mãe me ajude, e o Caldeirão me socorra; Rhysand.

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