Capítulo 117

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Algumas horas se passaram desde que retornamos do enterro de Henry. A tristeza continua a pairar sobre nossa casa, e meu quarto parece ser o refúgio perfeito para a dor que sinto. Deitada na cama, meus pensamentos continuam a girar em torno da morte de Henry.

Enquanto estou perdida em meus pensamentos sombrios, a porta do quarto se abre lentamente, revelando Eric de pé no batente. Seus olhos tristes e preocupados se fixam em mim enquanto ele entra no quarto.

— Clara, você precisa comer algo. Você não comeu nada o dia inteiro. Além disso, você está grávida, precisa se alimentar — diz ele, preocupado.

— Eu sei, Eric. Eu só... não tenho vontade de comer. Tudo parece tão sem sentido agora — admito, minha voz carregada de tristeza.

Eric se aproxima da cama e se senta ao meu lado, sua mão encontrando a minha com carinho.

— Eu entendo, Clara. Perder o Henry foi devastador para todos nós. Mas não podemos permitir que nossa dor nos consuma. Precisamos cuidar de nós mesmos, especialmente você, que está esperando um filho. O bebê precisa de você forte e saudável.

Seus argumentos são lógicos, mas a tristeza que se instalou em meu coração é difícil de ignorar. Ainda assim, concordo com um aceno resignado.

— Eu sei, Eric. Você está certo. Eu vou tentar comer alguma coisa.

Ele me oferece um sorriso gentil e se levanta da cama.

— Eu farei algo para você, está bem?

Agradeço a gentileza de Eric com um leve aceno de cabeça.

— E o Guilherme? Como ele está? — pergunto, preocupada.

Eric suspira suavemente, preocupado.

— Ele está descansando. Acho que a emoção do dia o deixou exausto. Vou verificar como ele está depois.

Assinto, reconhecendo a importância de Guilherme também cuidar de si mesmo nesse momento difícil. Eric sai do quarto, deixando-me sozinha com meus pensamentos mais uma vez.

Enquanto espero por Eric para trazer algo para comer, a tristeza continua a pesar sobre mim. A perda de Henry parece uma ferida que nunca cicatrizará completamente. Lembro-me do sorriso dele, das conversas que tínhamos... E agora, tudo parece vazio sem ele.

Algum tempo depois, Eric retorna com um prato de comida e um olhar gentil. Ele coloca o prato na minha frente e se senta ao meu lado na cama.

— Eu fiz um pouco de sopa e preparei um sanduíche leve. Espero que consiga comer um pouco.

Agradeço a Eric com um sorriso fraco, reconhecendo seus esforços para me cuidar mesmo quando sua própria dor é tão profunda.

Enquanto como devagar, o sabor da comida é quase irrelevante diante da enxurrada de emoções que estou enfrentando. No entanto, reconheço a importância de me alimentar tanto para minha própria saúde quanto para a saúde do bebê que carrego.

Quando termino de comer, Eric recolhe o prato e coloca-o de lado. Ele me observa com ternura, e eu sinto a necessidade de expressar minha gratidão.

— Obrigada, Eric. Por estar aqui, por cuidar de mim. Eu sei que você também está sofrendo.

Ele coloca uma mão suave no meu rosto.

— Nós estamos juntos nisso, Clara. Cada um de nós enfrentou perdas insuperáveis, mas estamos aqui um para o outro.

Eu sorrio, agradecida pela presença de Eric e nos beijamos delicadamente.

Mais tarde, após algumas horas em meu quarto, ainda perdida em meus pensamentos, percebo que preciso verificar como Guilherme está lidando. Sinto uma responsabilidade profunda em cuidar dele, afinal, ele acaba de perder seu marido.

O Professor - Livro 2Onde histórias criam vida. Descubra agora