Capítulo 78

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Algumas horas depois, eu aproveito a oportunidade para ficar a sós com Henry. Observo-o por um momento, processando a realidade da sua perda de memória. Respiro fundo e decido iniciar a conversa.

— Henry, você gostou das flores que trouxe? — pergunto, apontando para o buquê na mesinha ao lado da cama.

Ele olha para as flores por um instante e depois volta seu olhar para mim.

— Elas são bonitas, Clara... Eu amei... Obrigado — Ele dá um sorriso triste.

Eu sorrio, me sentindo aliviada.

— Senti sua falta, amigo. Você me deu um baita susto, sabia? — digo, segurando a sua mão com carinho.

— Desculpe por tudo isso... Eu não queria preocupar você ou qualquer outra pessoa.

— Não se preocupe, o mais importante agora é que você está aqui e está se recuperando. Estamos todos ao seu lado, prontos para te apoiar.

Henry parece triste e confuso.

— Clara, como eu sofri esse acidente? Tudo o que o meu pai me contou é que eu fui atropelado por um carro, enquanto atravessava a rua, e... Eu quero saber o que aconteceu, o que eu estava fazendo nesse exato momento.

— Eu não sei exatamente... Tudo o que eu sei, é que você tinha acabado de sair da agência de modelos onde você trabalhava e foi atropelado. Então, trouxeram você para cá.

— Agência de modelos?! Eu me tornei um modelo? — ele pergunta com o cenho franzido.

— Sim, Henry. Você estava trabalhando como modelo e estava se destacando muito. Você tinha um futuro promissor nessa área. Mas agora, o mais importante é focar em sua recuperação e não se preocupar com esses detalhes. Você tem muito tempo para se lembrar de tudo, aos poucos.

Henry parece absorver as informações.

— Clara, eu... sinto muito por não me lembrar de tudo. Sinto muito se isso está causando problemas entre nós. Mas eu me lembro de você, de algum modo.

Eu sorrio, sentindo um nó na garganta.

— Henry, nós fomos melhores amigos durante muito tempo. Nossa amizade é uma das coisas mais importantes para mim. As memórias podem ter se perdido temporariamente, mas eu acredito que, com o tempo, você se lembrará de tudo o que compartilhamos.

Ele segura minha mão com um olhar cheio de gratidão.

— Obrigado por ser paciente comigo, Clara. Eu me sinto sortudo por ter alguém como você ao meu lado.

Fico emocionada com suas palavras, sabendo que, apesar das dificuldades, nosso vínculo ainda está presente.

— Eu te amo, meu amigo... — digo, deixando as minhas lágrimas escorrerem.

Envolto em emoção, me inclino e o abraço com cuidado. À medida que permanecemos abraçados, sinto uma sensação de confiança se formar entre nós. Seja qual for o caminho que essa jornada nos levará, sabemos que enfrentaremos juntos. A amizade entre nós é mais forte do que qualquer obstáculo, e estou determinada a ajudar Henry a recuperar suas memórias.

— Por que eu não consigo me lembrar dessas coisas? Até mesmo a morte da minha mãe eu esqueci... É como se eu tivesse viajado para o futuro de uma hora para outra, sem lembrar o que aconteceu. É tão estranho ver o Dylan sendo legal comigo, até mesmo o papai... Eles nunca gostaram de mim... O que será que aconteceu?

— É uma longa história, meu amigo, uma looonga história, mas uma coisa de cada vez, você não pode absorver todas as informações de uma vez só. Aos poucos, vamos reconstruir as peças perdidas do quebra-cabeça.

O Professor - Livro 2Onde histórias criam vida. Descubra agora