O pai dos gêmeos olha para nós com uma expressão de desaprovação e raiva. Seus olhos estão cheios de decepção enquanto ele processa a cena diante dele. Dylan e eu nos afastamos rapidamente, sentindo o peso do constrangimento. Ele se levanta da cadeira, furioso e encara seu pai com os punhos cerrados.
— O que foi, pai? Você pirou?
— Não posso acreditar que vocês dois estão se envolvendo dessa maneira! Vocês são irmãos, pelo amor de Deus! — grita o pai de Dylan, com a voz cheia de indignação. — Isso é uma completa falta de respeito!
— E daí? Somos irmãos, mas isso não muda o que eu sinto pela Barbie. Você não tem o direito de nos julgar.
— Dylan, você precisa entender que isso é errado! Vocês são irmãos, por mais que doa admitir. Isso é um limite que não deve ser ultrapassado!
Dylan avança alguns passos na direção de seu pai, ainda com raiva. A situação está atraindo olhares curiosos.
— Não me venha com essa merda de limites! Você não é meu dono, nem o dono da Barbie. Nossas vidas foram viradas de cabeça para baixo por sua culpa.
O pai dos gêmeos fica visivelmente surpreso com a reação agressiva de Dylan, mas também mostra sinais de irritação.
— Como ousa colocar a culpa em mim? Você prefere viver em uma mentira do que encarar a realidade? Coloca isso na sua cabeça, a Clara é sua irmã, vocês não podem ficar juntos, vocês compartilham o mesmo sangue.
— Compartilhamos o mesmo sangue, mas isso não muda o que sentimos um pelo outro. Você não pode controlar nossos sentimentos. Nós não escolhemos ser irmãos, mas também não escolhemos nos apaixonar. Você não pode negar o que está bem na sua frente.
— Eu não posso apoiar isso, Dylan. É errado e imoral. Vocês precisam parar com isso e se afastar um do outro. Eu não vou permitir que isso continue.
— Você não tem o direito de se meter na minha vida! — Dylan grita.
— Eu tenho o direito de me meter porque eu sou seu pai! E você me deve respeito! — ele grita.
Eu me levanto da cadeira, intervindo na discussão antes que ela saia do controle.
— Chega! Os dois precisam se acalmar. Não vamos resolver nada assim — grito.
— Não vou resolver nada com ele. Ele precisa ouvir umas verdades — Dylan novamente encara seu pai. — Você não merece respeito algum, eu deixei de ser seu filho há muito tempo. Você não passa de um cretino, que só sabe controlar a vida dos outros. Eu não tenho mais paciências para aturar suas besteiras.
— Abaixa o seu tom comigo, Dylan! Eu não te dei o direito de falar assim comigo, querendo ou não, ainda sou seu pai! — ele grita, apontando o dedo na cara dele.
— Você nunca foi um pai de verdade, você sempre desprezou o Henry e agora quer dar uma de pai arrependido? Me poupe! E agora você quer controlar a minha vida também? Chega, eu não vou mais tolerar isso — Dylan grita.
— Você está se rebelando contra mim? — ele pergunta com raiva. — O que eu fiz para você? Por que essa raiva toda que você tem de mim? Sempre dei tudo que você queria, te dei amor, carinho, atenção, presentes caros, carro, moto... E agora você me trata assim?
— Você pode ter me dado tudo, mas você nunca se importou em dar essas coisas para o Henry. Você sempre fez questão de jogar na cara dele que eu era um filho melhor do que ele. Na verdade, você sempre jogava nós dois um contra o outro, e eu sempre fazia questão de ficar do seu lado. Na época, eu não percebia, mas agora eu me dei conta do quanto estava errado. E não, eu não estou me rebelando contra você. Estou cansado de viver nessa ilusão de família perfeita, onde tudo o que importava era a minha aparência e o meu sucesso. Eu não sou um troféu que você pode controlar do jeito que quiser. Eu sou um ser humano com sentimentos e desejos próprios.
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O Professor - Livro 2
RomanceApós Clara descobrir que o atual namorado de sua mãe é na verdade Eric, seu ex-namorado, ela se vê diante de um grande dilema e precisa decidir se deve confrontá-los ou guardar segredo. Enquanto isso, Dylan retorna à cidade para tentar superar seus...