16 - Quem?

1 0 0
                                    

Sem ter ideia de quanto tempo havia passado, Lucas abriu os olhos e percebeu que estava deitado em um ambiente diferente. Seu corpo doía como se ele tivesse feito um treinamento pesado pela primeira vez em uma academia.

A dor, embora suportável, persistia como um incômodo constante, limitando seus movimentos e deixando-o momentaneamente confuso.

— ... Onde estou? — sua voz murmurou quase involuntariamente, enquanto ele se esforçava para se erguer da cama.

Enquanto olhava ao redor, Lucas notou que estava em um quarto simples, com paredes de pedra e uma janela que permitia a entrada da luz suave do sol.

— Estou de volta na pousada? — refletiu internamente, sua memória confusa sobre os eventos que o trouxeram até ali.

Levantando-se com cuidado, ele esticou os membros, buscando aliviar a sensação dolorosa que percorria seus músculos. Apesar dos seus esforços, uma sensação de fraqueza persistia.

Além da fraqueza, sentiu-se sujo e, lembrando do chuveiro na pousada, Lucas começou a ponderar a possibilidade de tomar um banho.

— ... Não tenho a chave do quarto, mas posso trancar o banheiro, então não deve ter problemas. — raciocinou enquanto trancava a porta e ligava o chuveiro. — Se isso fosse um anime, alguém entraria enquanto tomo banho...

Lucas decidiu manter-se alerta, considerando o sistema de animes que aparentemente não o ajudava em nada.

— De qualquer forma, Domingos deve aparecer mais tarde...

Enquanto Lucas se limpava junto com sua roupa, Domingos retornou ao local da corrida e presenciou uma discussão acalorada entre organizadores, explicando o ocorrido aos espectadores e competidores desapontados.

Ao se aproximar, viu a garotinha da Família Incêndio confrontando alguém que parecia liderar o evento.

— Como assim alguém invadiu e roubou os prêmios!?

— E-Eu t-também não sei! — gaguejou a pessoa, tremendo de medo. — Nosso grupo estava encarregado do evento, mas alguém o controlou à força!

— E vocês não têm nem ideia da aparência dela!?

Vendo a garotinha furiosa e o organizador quase chorando, Domingos decidiu intervir.

— Já chega, ele parece não saber de nada. — disse calmamente, aproximando-se.

— Como é possível? E por que está se intrometendo?

— Haa... Jovens impulsivos... — suspirou o velho, buscando acalmar a situação.

Enquanto colocava a mão na testa, percebendo que a pessoa à sua frente era problemática, alguém a deteve.

— Irmã, acho que já chega, não podemos fazer nada. — falou o jovem da Família Incêndio.

— Não vou me acalmar até pegar o desgraçado que roubou meu prêmio!

— ... O pai disse que seu prêmio será um casamento.

— Eh!?

A garotinha deu um salto de susto, olhando para o irmão em busca de confirmação. Vendo sua seriedade, toda a raiva dela sumiu enquanto abaixava sua cabeça

— ... B-Bem, foi uma ótima corrida, mas é uma pena que acabamos perdendo. — disse em tom suave. — V-Vamos! Tenho coisas para fazer em casa!

Enquanto a garotinha ia embora, o organizador voltou a lidar com os competidores. Domingos considerou voltar à pousada onde Lucas estava, pois sabia que não obteria mais informações do evento. Enquanto pensava nisso, o irmão da garotinha, ainda presente, aproximou-se do velho.

— Minha irmã tem causado problemas, peço desculpas por seu comportamento. — disse o jovem, com um leve sorriso.

— Esqueça isso. — respondeu Domingos, virando-se.

— Ah, posso fazer algumas perguntas? — perguntou, interrompendo a partida do velho.

— Diga, precisa de algo?

— Não, só gostaria de saber o seu nome e o daquele jovem que estava com você.

— Nosso nome? Pode me chama de Domingos... E se quer saber o nome daquele garoto, apenas vá pergunta-lo.

— Obrigado. Aliás, meu nome é Daniel...

Enquanto conversavam, o velho observou o jovem Daniel mais atentamente. Não era estranho ele querer falar com Domingos, considerando a demonstração de poder no evento.

Entretanto, Domingos percebeu algo por trás do sorriso de Daniel, tornando-se mais cauteloso.

— Então, senhor Domingos, para onde você e aquele jovem irão agora?

— Eu provavelmente vou voltar para casa e... Não sei os planos dele.

— Hmm... Que tal deixá-lo vir conosco? Apesar de não ser forte, ele enganou a senhorita Cubo de Gelo três vezes em um dia.

— Irei perguntar para ele. — disse Domingos, virando-se. — Se ele quiser, depois o levo para seu território. Não precisa esperar.

Dito isso, o velho retornou à pousada onde deixou Lucas. Ao entrar no quarto, viu que ele não estava lá, mas ouviu o barulho do chuveiro.

— Lucas, você está no ba-

Antes que Domingos pudesse terminar, a porta do banheiro foi aberta com um estrondo e, de dentro dele, uma garota saiu correndo, com o rosto todo vermelho e as mãos cobrindo-o, antes de colidir com a parede.

Devido à batida, lágrimas brotaram de seus olhos enquanto ela se agachava, massageando a testa, sem ousar olhar para trás.

Após um momento, o rosto de Lucas apareceu na porta do banheiro.

— Yo, Domingos, já estou terminando. Espera um pouco.

Dessa forma, Lucas fechou o banheiro, deixando a garota e o velho sozinhos no quarto.

— ... Como essa garota entrou aqui? — questionou-se, olhando para a chave do quarto em suas mãos.


[Continua...]


??? — Sério? Você roubou os prêmios do evento!?

??? — Ninguém ganhou, então eu não poderia deixar o prêmio com ninguém!

??? — E por que não os devolveu aos organizadores para fazerem outro evento?

??? — Bem... Aquela carne tinha um cheiro tão bom...

??? — ... Às vezes, eu realmente penso em te jogar para fora daqui.

??? — D-De qualquer forma, quem é essa garota que apareceu do nada!?

??? — Bem, eu não faço a mínima ideia, mas... você não acha a reação do Lucas um tanto estranha? Se pensarmos nas razões para isso, então isso sugere que...

[Resposta será revelada no próximo capítulo.]

??? — Vamos ter que esperar e ver!


Animos Noutro MundoOnde histórias criam vida. Descubra agora