CAPÍTULO 21 - AINDA É TEMPO

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POV LUIZA

Cheguei à casa de Valentina e a encontrei vazia. Igor, compreendendo a necessidade de privacidade, se ofereceu para ir embora e me deixar a sós com ela. Ele disse que eu podia ligar quando quisesse voltar, e ele me levaria para casa se fosse necessário.

Fui até a porta do quarto de Valentina e bati suavemente.

- Vai embora Igor, que inferno! - sua voz soou abafada.

- Não é o Igor!

Então, ouvi que a porta foi destrancada. Quando entrei, deparei-me com uma Valentina totalmente diferente daquela que eu conhecia. Seu rosto estava inchado e seus cabelos estavam bagunçados. Algumas caixas e malas estavam espalhadas pelo quarto, o que estranhei, mas não questionei.

Meu coração doeu ao vê-la naquele estado, eu sabia que precisava ser cuidadosa. Ela se sentou na cama e ficou me olhando.

- Valen, não quero que diga nada agora, só ouça - pedi permissão com o olhar antes de continuar.

Fui até uma cadeira em frente à sua escrivaninha e me sentei. Tirei o violino do case, e o afinei rapidamente, enquanto ela ainda me observava.

- Eu escrevi uma música para você, não é bem o ideal cantar e tocar o violino ao mesmo tempo, mas eu quero cantar pra você. Posso?

Valentina, com os olhos marejados, apenas assentiu.

Comecei a cantar a música que eu havia escrito na noite anterior, enquanto tocava suavemente a melodia no violino.

Eu sei

Eu demorei chegar

Mas se você soubesse como me eu arrependo

Não tenho palavra

Não tenho

Pra justificar

Errei a rota

Saí do radar

Mas eu vejo

Na tua cara

Que ainda é tempo

Mesmo que tudo diga não

Ainda é tempo

De te fazer feliz e me fazer feliz também

De te mostrar que existe um jeito pra acontecer

Me repetir em dizer

Em lembrar que é você

Que aumenta o tamanho do mundo em mim

Eu sei que eu demorei chegar

Será que ainda é tempo?

No final da canção, Valentina desabou em lágrimas. Eu coloquei o violino de lado e me aproximei dela. Abracei-a com carinho, sentindo seu corpo tremer com soluços.

- Me desculpa por ter te empurrado e falado com você daquele jeito? Minha cabeça tava uma confusão só. Eu não queria que ficasse chateada comigo.

Ela finalmente conseguiu falar, entre soluços.

- Eu entendo por que você disse aquelas coisas, Lu. Era o seu sonho que estava desmoronando.

Eu acariciei seus cabelos com ternura.

Bilhete - VALUHistórias para pegar e não largar. Descubra agora