43 - Babi

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Quebra de tempo: 3 dias depois

BABI: BORA BERNARDO, SE VOCÊ NÃO LARGAR TUDO NO CARALHO DESSA BOCA, EU VOU PARIR ESSA CRIANÇA EM CASA E VOCÊ NUNCA MAIS VAI ME VER E NEM VER MINHA FILHA. - Grito descontrolada, desde ontem que sentia cólicas fortes, contrações para ser mais exata. E vocês acreditam que o corno do Bernardo resolveu ir resolver problema na boca? E há mais ou menos 5 minutos minha bolsa estourou!

BERNARDO: Calma Bárbara, eu tô indo, eu não posso largar como tá, mas 2 minutos e eu tô aí.

Ligação off:

Desligo a chamada na sua cara, e mando uma mensagem pra o médico, avisando que já estou indo pra maternidade. E que avise a equipe dele.

Enquanto Bernardo não chega eu pego as malas da Sophia e as coloco dentro do carro, logo em seguida coloco a minha mala e a mochila do Bernardo. Ele não vai passar os dias todos comigo, mas vai passar o dia e minha mãe a noite.

Após guardar tudo no carro, sinto as contrações ficaram mais forte e em menos tempo de intervalo. Ainda não avisei a minha mãe, mas como ela tá de plantão hoje, quando chegar lá vão avisar a ela de qualquer forma.

MINDINHO: Patroa, eu vou levando o carro na frente, o patrão quando vier encontra com nois no caminho.

Resignada aceito, nao posso e nao aguento mais esperar pelo Bernardo, então vamos pra o carro e ele dá partida comigo gritando no banco de trás. Gente, não vou dizer que não quero outro filho, mas se for pra ter, vai ser Cesário. Porra de dor é essa..

No caminho pra o hospital, o Mindinho vai a toda velocidade, será que ele quer que eu tenha essa menina dentro desse carro? A todo momento eu me lembro que quem deveria estar aqui comigo, era o Bernardo, e não o mindinho.

Eu vou matar o Bernardo!

MINDINHO: Chegamos patroa. - Ele para o carro e corre pra me ajudar a descer do carro.

Quando a porta abre do meu lado, ao invés de ser o mindinho, é o Bernardo. E só por orgulho eu não deixo ele me ajudar,

BERNARDO: Babi para de coisa. Deixa eu te ajudar mano.

BABI: Você não tava na boca? Então volte pra la. - Me arrependi do que falei, assim que a frase saiu da minha boca, e fiquei pedindo a Deus, em silêncio, que ele não fosse. Pois ele é tão orgulhoso quanto eu, e corria o risco dele ir mesmo.

BERNARDO: Não, eu vou ficar aqui, agora bora pra dentro.

Mindinho trouxe uma cadeira de rodas, sentei nela e o Bernardo me levou para dentro, e o mindinho entrou com as bolsas. Ao entrarmos vieram os enfermeiros da equipe que havíamos contratado, mas não deixaram o Bernardo entrar ainda.

Sou levada para o quarto em que vou ficar, e aqui mesmo terei minha filha. A não ser que precise ser Cesário. Mas se Deus quiser não vai ser... a médica já está aqui, e minha também.

HELENA: Filha!! - corre até mim e me abraça - Vai ficar tudo bem!

BABI: Quero meu marido. Trás ele pra cá mãe. - Falo chorando. Essa sensibilidade está me deixando muito frouxa, choro por tudo e por nada ao mesmo tempo.

HELENA: Ele está lá fora, não pode entrar agora, só depois que você estiver preparada para o parto. Nós já vamos lhe ajeitar.

Sinto uma contração muito, muito, MUITO forte.

BABI: AAAAAHHHHHHHHHHHH - Minha visão fica embaçada, minhas pernas ficam moles. - AAAAAARGGGGG MAMÃE.

XXXX: A PRESSÃO ARTERIAL DELA TA SUBINDO, ELA VAI TER UMA ECLÂMPSIA!

Minha mãe chora ao me ver assim, ela nunca foi forte pra me ver sofrendo, será que serei igual a ela? Um medico vêm até mim, e coloca um soro na minha veia, instantaneamente eu vejo tudo ir fincando escuro, um sono incontrolável tomando conta de mim.

Helena: Você vai dormir filha, pra não sentir dor. - Ouço um Sussurro da minha mãe. E isso foi a última coisa que ouvi antes de apagar.

Tento abrir meus olhos, mas tudo o que consigo é respirar, sinto alguém mexendo na minha barriga, quero gritar, mas nada sai da minha garganta, minha boca não abre. E de repente volto a dormir.

Acordo novamente, mas dessa vez eu consigo abrir os olhos, vejo a equipe médica ao meu redor, trabalhando afinco, mas não consigo falar. E o sono toma conta de mim novamente.

Abro meus olhos, tento gritar, tento me comunicar, mas é como se eu só estivesse o corpo presente, minha alma mesmo não está aqui.

Ouço som de vozes alguém fala próximo a mim, sinto quando mexem no meu cabelo, e algo molha meu rosto em forma de gotas. Quero mandar se afastar, mas não consigo falar. Logo a escuridão me alcança, e eu volto a dormir.

 Logo a escuridão me alcança, e eu volto a dormir

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Cria da RocinhaOnde histórias criam vida. Descubra agora