O vento varria as folhas de uma fina relva que ainda não fora coberta pela neve, o sol, prestes a se por pintava o horizonte de laranja com bordas rosadas. A fria brisa que entrava na caverna fazia as pequenas chamas de uma fogueira ricochetearem no ar aquecendo as mãos que se estendiam para elas. Ali dentro o calor se mantinha, mas logo as temperaturas despencariam e uma forte nevasca cobriria o vale a frente.
Por aquela noite bastaria, era o que o humano pensava em sua mente, agora que partira naquela jornada buscando algum indicio de um antigo templo Atlante que fora construído ali na montanha Makalu.
Segundo lendas antigas, uma porta escondida pela montanha levaria a um templo construído em seu interior que podia canalizar energia o bastante para abrir um rasgo entre as dimensões, um rasgo que o levaria direto ao mundo que buscava. Os Atlantes o teriam construído pouco antes de desaparecerem com a ajuda de um verdadeiro membro da Quinta Raça se as histórias fossem reais, muitos já partiram naquela busca, mas a porta nunca fora encontrada.
Ali solitário, com um manto cobrindo sua face e seu corpo, ele permaneceu parado por horas enquanto lá fora as temperaturas despencavam e toda a vista se tornava cinza pela nevasca. Sua mente viajava pelas paredes da rocha que o protegia na úmida caverna buscando alguma variação na energia que o permitisse identificar o templo, por fim sentiu o cansaço e desistiu por ora, estava exausto e desde sua última luta ainda não dormira para repor as forças e descansar o corpo. Caindo de lado, fechou os olhos e se enrolou em seu manto, o frio começava a castigá-lo ainda que ele aquecesse seu corpo com sua magia.
Em algum momento da madrugada, se viu caindo em um sonho gelado e escuro. O vento o jogava para os lados e parecia arrancá-lo do chão, uma imensidão cinza se estendia em todos os lados que olhava e o pouco do chão que podia distinguir se mostrava apalpado pela recente névoa. Com uma das mãos para o alto, tentou conter as forças da natureza que o castigavam, mas elas sequer pareceram notá-lo, aos poucos percebeu o frio que sentia e viu que suas habilidades já não o aqueciam, naquele momento esqueceu que estava em um sonho e se desesperando buscou pela entrada da caverna em que se escondera antes, sem sucesso.
Estava no meio de uma nevasca, no meio de uma montanha desconhecida e nada podia ser visto a frente, nem mesmo pode identificar a altura em que estava. Desesperado tentou convocar os seus poderes, mas para sua surpresa, como nunca antes acontecerá, eles não vieram. Ele estava só e como no começo de sua vida, sem a sua magia.
Naquele momento, uma lufada de ar frio o atirou ao chão arrancando o capuz de sua capa revelando a pele pálida cortada pelos cabelos ruivos e pela marca negra que nascia em sua fronte, causando arrepios em qualquer ser que o observasse. Voltando a se cobrir permaneceu agachado se protegendo com o manto enquanto uma camada de gelo começava a rodeá-lo até que pareceu ouvir algo, passos. Alguém passara a seu lado rapidamente em direção ao topo ou ele estava ficando louco.
Enquanto afastava o capuz um pouco, identificou as pegadas que seguiam para cima, voltando os olhos na direção que seguiam ainda pareceu identificar um vulto. Tentou gritá-lo, mas este pareceu ignorá-lo e continuou seu caminho como se a nevasca não o atrapalhasse. Se erguendo, tentou proteger o rosto com uma das mãos e seguiu atrás do vulto. Inicialmente podia identificá-lo como algo se movendo a frente, mas logo mesmo suas feições pareceram se perder em meio a neve. Por um momento se perguntou se não estaria vendo coisas, mas ainda assim permaneceu subindo, obstinado a encontrar o vulto.
Pelo que pareceram horas ele seguiu entre a montanha, a nevasca o castigava e todo o seu corpo doía, sua super resistência parecia já não o ajudar até que enfim ele despontou acima das nuvens. Com os olhos doendo se voltou para trás assistindo ao mar de nuvens que se sucediam a seus pés. Seu corpo dolorido pareceu voltar a produzir calor enquanto ele tentava recuperar o fôlego.
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PRINCIPIUM
General FictionAs bombas caiam de forma sincronizada. Para aqueles distantes das grandes cidades, foi uma bela visão, uma daquelas que sempre nos arranca o fôlego ao lembrar. Para aqueles que ardiam em chamas, o Inferno se tornava real. Os gritos vinham de todos...
