Capítulo 6

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CAPÍTULO 6

POV MARAISA

É verdade, eu fugia daquela mulher como o diabo foge da cruz, mas assim que a vi tão frágil e com os olhos vermelhos e inchados, uma onda de compaixão e empatia me atingiu. Ela não tinha sido das mais legais comigo, mas eu também não havia retribuído muito bem.

Tomei a rápida decisão de ir até ela, afinal, Marília podia estar precisando de alguma coisa ou passando mal. A loira pareceu surpresa pela minha presença e seus olhos me acompanharam enquanto eu me aproximava e me sentava ao seu lado. Ficamos algum tempo em silêncio, eu não sabia o que dizer e ela parecia não querer me dar espaço para iniciar uma conversa, pois agora encarava um ponto vago no horizonte.

-Marília, não é? -foi tudo que consegui dizer.

Não a olhei diretamente, estava com medo de ser pega por aquele mesmo assunto.

Ela continuou em silêncio.

-Meu nome é Maraisa. -segui.

Dessa vez, ela me encarou, mas não expressou nenhuma reação.

-Você está se sentindo bem? Se quiser, posso chamar alguém e...

-Tipo o seu amante? -sua voz fria como gelo me interrompeu.

Rapidamente recuei, mas ela pareceu cair em si e suspirou pesadamente.

-Me desculpe. Mas é que é estranho, você tem que admitir.

Apenas assenti.

-Precisa de ajuda? -insisti.

-Sei lá, talvez. -a encarei sem entender. -Sabe quando você está em um período ruim e nem ao menos sabe o por quê?

-Sei bem como é.

-Parece que tudo está dando errado e as coisas mínimas estão te afetando. -continuou. -Confesso que não sei o que fazer.

-Diante dessas situações eu costumo pensar em momentos que me fizeram feliz.

Marília me olhou com ar de interrogação.

-Como quando peguei a Laura pela primeira vez nos braços ou quando minha irmã e eu fomos pela primeira vez à praia. -sorri levemente me lembrando. -Você devia tentar.

A loira pareceu pensar por alguns segundos antes de dizer:

-Não sei se é tão fácil assim.

-Claro que é! -eu estava estranhamente animada. Aquele era um exercício que Maiara e eu fazíamos quando estávamos tristes ou algo do tipo. -Vamos lá! Um dia importante e memorável na sua vida.

-Minha festa de debutante. -respondeu após um tempo e um sorriso apareceu em seus lábios. -Eu me sentia tão feliz! Meus pais, minha família e meus amigos todos reunidos.

-Deve ter sido incrível!

-E foi. -assentiu. -Foi a primeira vez que beijei o Arthur e me senti tão madura e diferente. Mas depois, com o passar do tempo, o sentimento foi diminuindo até... -ela parou subitamente como se tivesse percebido que estava falando mais do que devia a uma estranha.

Nossos sorrisos morreram em nossos rostos imediatamente e o clima pesado voltou outra vez. Após alguns segundos em silêncio, Marília tomou a iniciativa.

-E a sua festa de 15 anos, como foi?

-Na verdade, eu não tive uma.

-O que? Como não? Toda menina tem que ter uma! -a loira parecia indignada e me fez rir pelo fato de não saber a realidade da maioria das pessoas fora da bolha em que ela parecia viver.

Macarons - MalilaOnde histórias criam vida. Descubra agora