Capítulo 34

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CAPÍTULO 34

POV MARAISA

Uma semana tinha passado desde que torci o tornozelo, então eu já estava bem melhor, andando ainda com um pouco de dificuldade, mas não sentia mais dor alguma. A única coisa que estava me incomodando era uma sensação estranha no meu corpo, eu não sabia explicar o que era exatamente, mas sentia algo diferente. Porém, com a alegria de tirar aquela faixa incômoda do tornozelo e do pé, não dei muita atenção a isso.

Marília e eu vínhamos nos falando quase todos os dias, o clima era muito bom, como se já tivéssemos superado todas aquelas briguinhas do passado e o nosso término dolorido. Eu estava me acostumando com a ideia de voltar pra ela, pois a família do meu pai já não importava mais, não para o nosso possível futuro relacionamento. Vez ou outra, nos beijávamos e ficávamos juntas, era como se tudo estivesse se encaminhando para a nossa volta.

Era sábado à tarde e Marco havia me convidado para almoçar. Concordei, afinal, nossa relação também estava voltando ao normal. Meu pai me buscou em casa e chegamos rapidamente no restaurante.

Quando entramos no estabelecimento, Marco me guiou até uma mesa onde pude ver Marília e Maiara sentadas. O que diabos estava acontecendo? Minha irmã também parecia confusa com a situação e buscou uma resposta em Marília, eu fiz o mesmo com o meu pai.

-Nós meio que armamos isso. -Marco confessou.

-E pra que? Não era mais fácil dizer a verdade? -Maiara questionou, levemente irritada.

-Você viria se eu dissesse que íamos almoçar com o Marco? -Marília perguntou.

-Óbvio que não! -respondeu.

-Então! -meu pai justificou.

-O que você quer, pai? -perguntei tentando acalmar os ânimos. -E por que a Marília está aqui?

-Queremos conversar sobre um assunto que a Maiara já conhece. -explicou.

-Que assunto? -franzi o cenho.

Marco fez uma pausa antes de continuar.

-Maraisa, você e a Maiara têm certos direitos como as minhas filhas, e isso inclui, principalmente, a empresa.

-Esse assunto de novo? -Maiara revirou os olhos. -Ela não vai concordar.

-E é por isso que te trouxemos aqui. -a loira falou. -Você já sabe todos os nossos argumentos e sei que no fundo concorda com eles. Por isso, tenho certeza que vai nos ajudar nisso.

-Do que vocês estão falando? -interrompi.

-Aquela empresa também é sua, Maraisa. Sua e da sua irmã. E eu quero que vocês tomem posse disso quando eu não estiver mais aqui. -meu pai, por fim, disse.

Levei alguns instantes para processar aquela informação e todas as suas implicações.

-Quer dizer brigar com os seus filhos legítimos por dinheiro? Não, obrigada! -disse virando a cara.

-As coisas não são assim! -Marília rebateu. -Marco vai deixar tudo em testamento, pois é um direito de vocês. E seus irmãos não vão poder fazer absolutamente nada!

-Primeiro, eu quero distância de todos eles. Segundo, eu jamais conseguiria viver com aqueles olhares tortos sobre mim, mesmo com um testamento me dando direito a sabe-se lá o que. E terceiro, eu não tenho a mínima formação e capacidade para ter parte em uma empresa.

-Maraisa, não diga isso! Você é uma menina inteligente, sempre foi. Você pode se formar e... -meu pai falou.

-Eu tenho uma filha pra cuidar e pra sustentar! Não tenho tempo pra estudar, pois quando não estou trabalhando estou com a Laura. E será assim pra sempre!

Macarons - MalilaOnde histórias criam vida. Descubra agora