Capítulo 4

1.4K 136 19
                                        

CAPÍTULO 4

POV MARAISA

-Você o que, Maraisa? -Maiara berrou em alto e bom som.

-Fala baixo! Você vai acordar a Laura! -esbravejei.

-Repete o que você disse!

-Vou trabalhar na empresa do pai. -murmurei.

-Você só pode estar de brincadeira comigo!

-Não, Maiara, não estou. Estamos precisando de dinheiro e eu não consegui emprego em outro lugar.

-Pois eu prefiro passar fome do que aceitar dinheiro da empresa desse velho.

-Não diz isso, irmã.

-A mãe já sabe?

-Não e você não vai contar. -disse firme.

-E você acha que vai conseguir esconder isso por quanto tempo?

-Não sei. -suspirei. -Irmã, por favor, tenta entender. Eu preciso trabalhar, eu preciso dar um futuro pra Laura. -fiz um leve carinho em seu rosto.

Minha irmã e eu quando não estávamos brigando, éramos muito carinhosas uma com a outra, possuíamos uma ligação muito forte, coisa de gêmeas.

-Você tem razão. Me desculpe por estar sendo egoísta. -fez uma pausa. -Mas eu me preocupo com você, me preocupo com você no meio daquela gente. E se eles te olharem torto ou algo do tipo?

-Maiara, eles nem sabem quem eu sou.

-E se descobrirem?

Ao ouvir isso, imediatamente pensei na loira do restaurante.

-Não vão, eu vou tomar cuidado, prometo.

-Está bem. -concordou. -Quando você começa?

-Amanhã. -respondi. -Bruno vai me acompanhar.

-Eu também vou.

-E por que isso agora, ein? -a olhei com desconfiança.

-Se alguém ousar a te olhar torto, eu acabo com quem quer que seja na hora.

-Você é tão boba! -ri. -Mas eu tenho outra teoria quanto a isso.

-E qual seria?

-Que você só vai pra ver o pai.

-Cancela! Não vou mais com você! -fechou a cara imediatamente.

-Metade, era brincadeira! -a agarrei por trás e a abracei de modo desajeitado. -Me desculpa. Não tá mais aqui quem falou.

-Pode esquecer minha companhia. -riu enquanto tentava se desvencilhar do meu abraço.

-Por favor, eu preciso de você, preciso que você vá comigo. -implorei enchendo sua bochecha de beijos.

Ela tentou fugir novamente, mas eu era mais forte e a mantive em meus braços enquanto implorava uma e outra vez até ela aceitar.


Paramos em frente a B&M Contabilidade e Advocacia e observamos juntos aquele prédio enorme e imponente se erguendo diante de nós. Andamos em direção a entrada e pedi algumas informações na recepção. A moça simpática por trás do balcão me informou onde ficava a cafeteria do local e seguimos até lá, onde meu pai nos esperava com um sorriso discreto no rosto. Imediatamente desconfiei que a alegria era mais por finalmente ver Maiara outra vez, pois ele sentia falta dela e sempre que podia tentava se aproximar.

Entramos na cafeteria que estava vazia e Marco fechou a porta, provavelmente prezando por descrição. Ele me deu um beijo e um abraço, cumprimentou Bruno e em seguida tentou fazer o mesmo com minha irmã que se desvencilhou dos braços dele e disse apenas um "oi" contido.

Macarons - MalilaOnde histórias criam vida. Descubra agora