Capítulo 2

1.9K 160 37
                                        

CAPÍTULO 2

POV MARÍLIA

-O que você acha, Marília?

-Marília?

-Alô, Marília! Planeta Terra chamando! -Luiza estalou os dedos em frente ao meu rosto.

Estávamos num barzinho que costumávamos ir sempre, Luiza, Murilo e eu, ambos meus melhores amigos desde a adolescência. Eu não escutava absolutamente nada do que eles diziam, pois estava ocupada demais pensando no que havia presenciado hoje mais cedo.

FLASHBACK ON
Ouvi passos se aproximando da porta do escritório e corri para me esconder. Marco deu um beijo na testa da mulher e a acompanhou até o portão rapidamente. Quando ela saiu, uma expressão aliviada banhou seu rosto.

Engoli em seco, minha mente outra vez criando a única teoria possível, e meu coração se despedaçando com aquilo. Corri para o andar de cima e me enfiei no banheiro, precisava disfarçar e me recompor. Cinco minutos depois, ouvi tio Marco me chamar e desci como quem não tinha visto absolutamente nada. Voltamos para a empresa em seguida, felizmente ele no seu carro e eu no meu.
FLASHBACK OFF

-Desculpa. -suspirei frustrada.

-O que diabos está acontecendo? Você não tá bebendo, o que é um milagre, e tá com a cabeça no mundo da lua! -Murilo disse.

-Tem uma coisa que eu não consigo parar de pensar um minuto sequer.

-E o que seria essa coisa? -Luiza questionou.

-Eu vi o tio Marco com uma mulher.

-Que mulher? E viu como? Por acaso eles estavam se beijando ou algo do tipo? -a morena perguntou em alerta.

-Eu não sei quem era. E não, não vi um beijo ou nada do tipo, exceto um beijo na testa. -expliquei. -Ela estava com uma criança nos braços e ele parecia furioso por ela ter ido até a casa dele.

-E? -Murilo perguntou tentando entender onde queríamos chegar com tudo aquilo.

-E a situação toda me pareceu ser algo que eu não quero que seja.

-Eles são amantes. -Luiza disse sem pestanejar.

-O que? Não viaja, Luiza! -Murilo exclamou.

-É isso que você pensou, não foi, Marília?

-Sim. -suspirei outra vez. -Ela estava pedindo ajuda financeira para ele, parecia preocupada com a saúde da criança. Bem, pelo menos foi isso que eu consegui ouvir.

-Será que a criança é filha dele?

-Será, Luiza? -perguntei apavorada com a possibilidade. -Isso me deixa tão mal. Tio Marco sempre me pareceu um homem tão correto, tão família...

-Esses são os piores. -a morena disparou.

-E a mulher tinha basicamente a minha idade, nova demais pra ele. É tão nojento pensar nisso.

-A Luiza bebeu horrores, mas você não, Marília! Não devia estar viajando assim! -Murilo interrompeu.

-Não estamos viajando! Homens não são confiáveis e esse tópico não está aberto a discussões! -Luiza se irritou com o comentário do moreno. -O que mais você viu ou ouviu?

-Não muito, mas... Acho que ouvi tio Marco chamar ela de "meu amor".

-BINGO! -a morena gritou.

-Shiu, Luiza! -fiz sinal de silêncio.

-É a amante que está precisando de ajuda para criar o filho, filho que ele é pai. -minha amiga concluiu.

-Só de pensar nisso meu estômago revira. A minha madrinha está doente… nem numa situação dessas um homem consegue ser um ser humano decente?

Macarons - MalilaOnde histórias criam vida. Descubra agora