Capítulo 37

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                    BRUNA

Isabela  teria rido de mim. Eu estava na fila do supermercado no fim da noite na rua de baixo do Regency com uma variedade de doces do balcão da padaria que estava prestes a fechar. Quando ela disse para levar para Raphael uma sobremesa, chocolate foi o que veio à minha mente. Eu sabia que estava
totalmente apaixonada.

Depois de Drew, nunca pensei que iria me sentir assim com outro cara. Quando o nome de Raphael  brilhava na tela do meu celular, eu sorria. Vê-lo pessoalmente fazia meu coração bater mais rápido. Às vezes, eu lia uma mensagem de texto simples dele uma dúzia de vezes.

Com Drew foi diferente. Eu poderia fazer uma lista de um milhão de coisas que amei nele. Eu pensei que era o que o amor verdadeiro é. Lógico. Prático. O amor era uma lista de coisas tangíveis que mostravam que ele era o cara certo. Mas com Raphael  eu não conseguia encontrar as palavras para
descrever o que sentia por ele. Eu provavelmente poderia fazer uma lista de um milhão de razões pelas quais eu deveria ter ficado longe. No entanto, eu sabia no meu coração que ele era o cara certo. Minha alma o tinha escolhido,não minha mente.

A fila do caixa estava ladeada por prateleiras de itens sazonais de compras por impulso. Borrachas escolares cor-de-rosa com perus desenhados, abóboras pequenas pintadas, pacotes de figurinhas da NFL. Levei a borracha ao nariz e o cheiro me lembrou do ensino fundamental. Joguei uma em minha cesta, juntamente com um punhado de pacotes de figurinhas.

No momento em que o caixa me chamou, minha compra tinha me custado trinta e três dólares. O elevador vazio compensou o tempo perdido. Ele acelerou para o andar de Raphael  tão rápido que minha cabeça estava um
pouco tonta quando saí. Uma mistura de excitação e nervosismo me bateu
quando levantei a mão para bater na porta. Minha batida foi leve, mas ecoou pelo corredor silencioso. Esperei. Meu batimento cardíaco acelerou enquanto os segundos passaram. Talvez ele já estivesse dormindo. Bati novamente. Desta vez, mais alto.

Passos vibraram no chão enquanto ele se aproximava. Quando a porta se abriu, levantei a sacola de Chocolate, balançando a caixa de padaria por sua corda vermelha e branca.

— Pensei que você poderia gostar de uma sobremesa.

Raphael  ainda estava vestido com as roupas que tinha usado no jantar. Bem, na verdade, parecia que ele tinha acabado de ser interrompido de se despir. Sua camisa branca estava desabotoada, o cinto, solto, e seus pés já estavam nus. Meu primeiro pensamento quando o vi foi: que desperdício comprar chocolate  quando há melhores coisas para comer. Eu sorri. Mas algo nos olhos dele fez meu coração despencar antes que ele pronunciasse uma só palavra. Ele se virou, olhando para trás em sua suíte de hotel. Quando me encarou, sua expressão dizia tudo.

— Eu não estava esperando você.

— Devo ir embora?

— Não. É que... Yasmin apareceu há poucos minutos e...

— Yasmin  está em seu quarto de hotel com você?

Ele passou a mão pelo cabelo.

— Não é o que parece. Eu juro.

— Então me diga. O que é? — Eu olhei para a suíte de Raphael  e vi Yasmim em pé na sala de estar. Seus pés estavam descalços, e ela nos observava de longe.

— Ela precisava de um amigo. Tem sido dias um pouco difíceis.

— E você a estava consolando seminu... em seu quarto de hotel?

— Não era isso que eu ia fazer.

— Diga-me então. — Eu levantei a voz. — Que porra é essa que você ia fazer?

𝐎 𝐉𝐨𝐠𝐚𝐝𝐨𝐫,𝐑.𝐕Onde histórias criam vida. Descubra agora