Capítulo 29

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                      YASMIN

As salas de emergência que você vê na televisão são um monte de merda. Médicos e enfermeiras correndo pelo corredor com macas, um ajoelhado e executando uma massagem cardíaca em um paciente, enquanto outros manobram em direção a alguma grande porta dupla que se abre por conta própria. Até parece.

Olhei ao redor da sala cinza deprimente, com quase todos os assentos ocupados enquanto as pessoas esperavam. E esperavam. Três mulheres vestidas em uniformes azuis estavam sentadas atrás de grossas janelas de vidro, conversando e bebendo café. Dois seguranças ficavam na porta de entrada. Parecia mais uma prisão do que uma sala de espera de hospital.

Duas horas se passaram sem notícias. Fui até a janela da recepção e esperei, torcendo meu colar nervosamente. As mulheres continuaram a me ignorar até que, eventualmente, uma olhou para mim, irritada.

— Posso ajudá-la?

— Minha avó foi trazida algumas horas atrás.

— Nós chamamos o seu nome?

— Não.

— Vamos chamar quando o médico tiver terminado de examiná-la e nos atualizar sobre a situação.

Os olhos da mulher focaram por cima de mim, em um não verbal próximo. Voltei para o meu lugar e terminei de tirar o esmalte das unhas, depois fui para o banheiro. Passei um tempo segurando por não querer perder se fosse chamada, mas a força da mãe natureza estava impossível de segurar.

Quando voltei, Raphael  estava no balcão da recepção falando com a enfermeira. Eu não fiquei surpresa por ele ter aparecido. O lar de idosos tinha me dito que deixou uma mensagem para ele. No entanto, ao vê-lo de pé, parei por um segundo. Mesmo que ele deixasse claro que não queria ter nada comigo, andei até a janela e me juntei a ele. Ele acenou para mim em reconhecimento e continuou sua conversa com a mesma enfermeira de cara fechada que tinha acabado de me virar as costas. Só que agora a Sra. Cara Fechada estava sorrindo. E ela aparentemente conseguia se levantar da cadeira.

— Deixe-me ir verificar para você. O sistema ainda mostra que ela está na triagem, mas faz algumas horas. Tenho certeza de que eles podem me dar uma atualização. Apenas me dê um minuto.

Raphael  se virou para mim enquanto esperávamos.

— Você acabou de chegar aqui?

— Não. Eu estava no banheiro. Vim na ambulância com ela há cerca de duas horas.

Ele assentiu.

— Eu tentei te ligar. O que eles descobriram até agora?

— Não faço ideia. Levaram-na e não me deram nenhuma notícia ainda.

A enfermeira voltou para o vidro, alguns minutos depois. Ela apontou para a direita.

— Eu vou acompanhar você, por que não dá a volta?

Segui Raphael , mesmo que não tivesse sido convidada. A enfermeira nos levou a uma sala de exames vazia e nos disse para sentar. Poucos minutos depois, um médico entrou. Ele tirou uma luva e estendeu a mão para Raphael primeiro.

— Eu sou o Dr. Simon. Você é neto da Sra. Marlene?

— Eu sou seu guardião legal. Yasmin é sua neta.

O médico apertou minha mão. Até aquele momento, eu não tinha ideia de que Raphael  era seu tutor legal.

— Por que não vamos nos sentar?

Eu não estava gostando disso. Nós nos sentamos, minhas mãos se apertando quando o médico falou.

— A Sra. Marlene sofreu um acidente vascular cerebral. Existem muitas causas diferentes do AVC. Acreditamos que o dela foi uma hemorragia cerebral produzida pelo rompimento de uma artéria do cérebro.

𝐎 𝐉𝐨𝐠𝐚𝐝𝐨𝐫,𝐑.𝐕Onde histórias criam vida. Descubra agora