Duas horas se passaram desde que saímos do hospital em direção ao local indicado por Laura. O carro avança pela estrada escura, cada quilômetro parecendo uma eternidade. O silêncio entre nós é quase tangível, carregado de ansiedade e medo do desconhecido.
Não consigo tirar Eric da minha cabeça, deitado na cama do hospital, inconsciente e vulnerável. A preocupação por ele mistura-se com o desespero de resgatar Henry Miguel. Meu filho, com apenas sete meses, está em algum lugar, nas mãos de uma mulher desequilibrada que ameaçou machucá-lo. Sinto um aperto no peito só de pensar nisso.
Dylan, ao volante, parece tão tenso quanto eu. Seu olhar está fixo na estrada com as mãos batendo nervosamente no volante. A cada batida, sinto um calafrio percorrer minha espinha. Ele também está lutando com seus próprios demônios.
Dylan finalmente quebra o silêncio, mas suas palavras saem tensas.
— Não consigo acreditar que ela fez isso, aquela desgraçada. Pegar o nosso filho, usar uma criança... — ele murmura, mais consigo mesmo do que para mim.
Não respondo imediatamente. Olho para as luzes distantes da estrada e sinto um nó se formar na garganta. Henry Miguel, tão pequeno e vulnerável, nas mãos de Laura. A impotência me consome.
— Estou com medo, Dylan... Estou com medo de perder o meu bebê... Ele pode estar sofrendo sem a mãe dele... Ele é muito apegado a mim, e eu... eu não posso imaginar o que ele está passando agora. Será que estão cuidando bem dele? Será que ele está assustado? E se Laura fizer algo contra ele? — pergunto, minha voz trêmula, enquanto encaro a escuridão à frente. Não consigo evitar de chorar, sem saber o que pode estar acontecendo com meu bebê.
Dylan continua dirigindo com o olhar fixo na estrada. Ele parece absorver minhas palavras, e por um momento, o silêncio se instala novamente. A única trilha sonora é o som dos pneus na estrada escura.
— Não vai acontecer nada com o nosso filho, Barbie. Eu prometo que não vamos deixar que nada aconteça com ele. Nós vamos trazê-lo de volta. Confia em mim. — Dylan finalmente responde, segurando a sua arma que está em cima do console do carro.
Sigo olhando para a escuridão lá fora, agradecendo as palavras de Dylan, mesmo que sua promessa não possa apagar completamente o medo que sinto. Henry Miguel, meu pequeno anjo, merece mais do que esse mundo caótico que o envolve agora. Minha mente vagueia, alternando entre as imagens de Eric no hospital e a incerteza do que está acontecendo com meu bebê.
— Eu sei que você quer proteger o nosso filho, Dylan. Eu só... não consigo evitar esses pensamentos. Toda essa situação é insana, e eu só quero que isso acabe logo. — desabafo, as lágrimas continuando a escorrer pelo meu rosto.
Dylan olha para mim, e por um momento, vejo a preocupação em seus olhos. Ele alcança minha mão e a aperta suavemente, buscando algum tipo de conforto. A tensão no carro parece diminuir um pouco, mas a angústia ainda paira no ar.
— Vamos tirar o Henry Miguel dessa situação. Nada vai impedir a gente. Eu juro. — ele diz, sua voz mais suave do que antes.
Agradeço silenciosamente por ter Dylan ao meu lado nesse momento de desespero. Ele pode ser impulsivo, mas seu comprometimento em proteger nosso filho é inegável.
Enquanto continuamos na estrada escura, as horas parecem se esticar, e o cansaço começa a pesar sobre mim. Deito a minha cabeça na janela do carro, olhando a paisagem noturna que passa rapidamente. O ritmo constante do motor do carro cria uma espécie de melodia monótona, quase hipnótica.
Dylan, percebendo meu cansaço, olha para mim com preocupação.
— Você precisa descansar um pouco, Barbie. Não podemos ajudar o Henry Miguel se você estiver exausta.

VOCÊ ESTÁ LENDO
O Professor - Livro 2
RomanceApós Clara descobrir que o atual namorado de sua mãe é na verdade Eric, seu ex-namorado, ela se vê diante de um grande dilema e precisa decidir se deve confrontá-los ou guardar segredo. Enquanto isso, Dylan retorna à cidade para tentar superar seus...