Ponto de vista: Maya
Estava concentrada, anotando tudo o que a professora de português dizia quando meu celular vibrou no meu colo.
Franzi a testa, desviando os olhos para o aparelho, enquanto apertava o botão e observava que tinha uma nova mensagem de um número desconhecido no WhatsApp . Fechei os olhos e respirei fundo. Aquilo não podia estar acontecendo.
Apoiei a caneta no caderno e coloquei a senha para desbloquear a tela. Abri a mensagem para encontrar exatamente o que temia.
"Somente para assegurar que manterá a sua palavra no sábado."
Bufei, enquanto respirava lentamente e digitava furiosamente de volta.
"Como conseguiu o meu número?"
"Tenho meus informantes"
Deixei o ar escapar ruidosamente e tive que dissimular rapidamente quando a professora me observou.
"Isso se chama invasão de privacidade"
"Então estava mesmo planejando fugir do nosso encontro no sábado?"
Observei as palavras "nosso encontro" na tela como se tivessem saído dos lábios dele. Quase pude ver aquele sorrido oculto em seu rosto, enquanto ele me atormentava.
"Pretende mesmo me atormentar até que eu me arrependa do que fiz hoje e retire o que disse?"
"Não."
"Então que diabos está planejando?!"
Observei, enquanto a mensagem "numero xxxx esta digitando" aparecia na tela. Mas não consegui obter uma resposta porque meu celular foi arrebatado das minhas mãos, por ninguém menos ninguém mais que a professora, com caras de poucos amigos.
Esse definitivamente não era o meu dia.
Me arrastei pelos corredores em direção a saída, depois de passar pela diretoria, recuperar meu celular e escutar um baita sermão. Depois de toda essa confusão, não tinha tido tempo de conversar com Margot, e depois do que havia acontecido no refeitório naquela mesma tarde, ela havia voltado a sala de aula como se nada tivesse acontecido. O que me deixava ainda mais preocupada com a sua saúde mental.
Observei os corredores procurando por ela, mas tudo o que obtive foram olhares curiosos na minha direção. Tirei o celular do bolso e abri o maldito Instagram do jornal escola. Não havia somente um vídeo visto de somente um angulo do que tinha acontecido no corredor aquela tarde. Havia vários, de ângulos e fontes diferentes.
Suspirei, deixando o peso daquele dia cair finalmente sobre meus ombros e me dispus a guardar o celular no bolso, mas lembrei daquela última mensagem. A mensagem que eu não tinha conseguido ler antes dele ser confiscado.
Abri o WhatsApp, mas não havia mais nada ali. Então ele não me diria o que estava pretendendo, certo?
Típico.
Entrei em casa e senti o cheiro reconfortante da carne assada da minha mãe. Isso, com certeza, levantaria o meu humor. Fui até a cozinha e a vi de frente para o fogão, com seu avental moderno e sua maquiagem. Era evidente que ela tinha terminado de gravar um vídeo que a transformaria ainda mais na pessoa mais cool que eu conhecia.
Enquanto eu me divertia com livros e com ciências, minha mãe se divertia gravando vídeos de culinária para o seu blog e canal do Youtube. E eu podia garantir, ela estava sendo super bem-sucedida nisso. O fato era que, além de ótima cozinheira, minha mãe era simpática e o tempo não parecia passar para ela em absoluto. Era uma combinação gloriosa que atraia muitas pessoas para o seu blog e para o seu canal.
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10 encontros
Teen FictionMaya sempre teve claro o que queria conquistar na vida: ser uma cientista renomada e trabalhar em projetos importantes dentro de grandes empresas pelo mundo. Então, quando finalmente conseguiu ser aceita na melhor escola do Estado, sentiu que faltav...
