TRINTA E TRÊS

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Todo esse êxtase
Aqui, esse tempo todo
Em pedaços, ele afastou
Toda essa cor em seu suspiro final
Exalou o escuro e cinza
Uh, exalou o escuro e cinza
(The Last Day - Moby)

ANA LUIZA

A última semana tinha sido extremamente tensa, apesar de não ter brigado novamente com Abel, estávamos estranhos um com outro, nos primeiros meses do nosso namoro eu praticamente morri com ele, e fazia quase duas semanas que eu não ia um dia se quer pro apartamento dele.

Ele também não fazia questão, fui em um jogo o que resultou em nós sairmos pra jantar depois, e foi só isso, um clima bizarro.

E óbvio que eu estava triste né? Eu sempre acho que conheço as pessoas e creio fielmente que conheço o Abel, mas quando ele começou a agir dessa forma, quando ele falou que não ia no desfile, eu comecei a questionar tudo que eu conheci dele até agora, e se meu pai estivesse certo? E se eu não fosse mais tão interessante?

Mas aí eu lembro de tudo que ele fez, me apresentou para os seus pais e suas filhas, ele faria isso se eu não gostasse de mim? Logo ele que preza tanto pela a família? Era muita coisa passando pela a minha cabeça, eu sentia que eu estava nos extremos.

– Não está fechando. – A figurista da Gucci fala assim que tenta fechar o meu look, no dia do desfile, eu abro a boca sem entender.

– É impossível, eu fiz dieta a semana toda, não tem como. – Falo assustada e Laura está sentada na minha frente com os olhos arregalados.

– Eu vou dar um jeito, aumentar um pouco. – A estilista fala e eu coloco a mão na boca.

– Amiga... eu acho que precisamos conversar. – Laura fala séria e eu olho com medo.

– Amiga, pelo amor de Deus. Que cara é essa?

– Faz praticamente um mês que você está extremamente irritada, chorona, ciumenta, com a pele ruim, inchada, enjoada. – ela faz uma lista e eu olho pra ela incrédula.

– Você acabou comigo hein?

– Não é isso amiga, é só que... em nenhum momento passou pela a sua cabeça que você pode estar grávida?

– O que amiga? Claro que não.

– Como você vai saber se sua menstruação não voltou ao normal depois do diu?

– Eu e o Abel usávamos o calendário.

– O mesmo calendário que as nossas avós usavam e que tem 12 filhos usando ele?

Eu me sento no pequeno sofá que tinha ali no camarim sentindo meu rosto esquentar, eu estava passando por tantas coisas e mudanças que não parei pra pensar no que elas realmente poderiam significar.

– Amiga, e agora meu Deus? – Falo com um misto de sentimento e por instinto coloco a mão na barriga.

– Agora você vai desfilar, Esquece tudo, você ensaiou muito pra isso, depois pensamos nisso.

Eu dou um sorriso triste, iria ser difícil esquecer completamente essa hipótese, me olho no espelho.

– Eu queria que ele estivesse aqui. – Respiro fundo. – Eu confio nele mas eu não suporto pensar nele com a Ana.

– Ele não sente mais nada por ela, para com isso.

– Eu sei que não. – Falo ainda com algumas incertezas.

Uma hora dessas ele já deveria estar em Portugal.

Eu engulo o choro e o bolo que estava na minha garganta, e me levanto vendo que o pessoal da maquiagem havia chego, eles até tentaram conversar comigo e eu esperava que não tenha passado como antipatica, porque eu realmente estava em outro mundo, meus pensamentos estavam uma bagunça danada.

dangerous | abel ferreira Onde histórias criam vida. Descubra agora