QUARENTA E TRÊS

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ANA LUIZA

Já eram 4 da manhã e nada do Abel chegar, eu já não conseguia dormir , estava extremamente nervosa, então me levantei e fui para a sala, sentei no sofá e respirei fundo olhando o apartamento em minha volta, Abel não era de sair então nunca havia acontecido algo do tipo.

Mexi um pouco no celular e quando deu 4:42 ele chegou, abriu a porta com os cabelos todo bagunçado, e os olhos pequenos, ele estava bêbado.

– Você está acordada?

– Eu estava preocupada, dois gringos sem noção num barzinho.

– Ele estava desabafando sobre a vida, nos empolgamos e ficamos tempos a mais. – O sotaque dele estava tão forte por conta da bebida que eu quase não conseguia entendê-lo.

– Eu nunca vi você bebendo.

– Eu só bebo vinho, você sabe.

– E bebeu quantas garrafas pra ficar louco assim?

– Tinha algumas cervejas artesanais, e eu gostei, acabei tomando um pouco mais.

– Eu estava tão preocupada, que saco. – Me sento no sofá limpando minhas lágrimas que eu estava segurando, eu tinha criado mil cenários na minha cabeça.

Eles bêbados e alguém fazendo alguma maldade, algum torcedor rival de má índole, sei lá.

– Princesa? Eu pensei que você ia estar no último sono por isso não mandei mensagem falando que estava tudo bem, me desculpa.

Ele limpa as minhas lágrimas e eu o abraço firme, por mais que eu estivesse com raiva, e que o cheiro de bebida nele me incomodasse muito, o medo que eu fiquei era maior, então agora o abraçando me sentia bem.

– Vai tomar um banho, esse cheiro me faz querer vomitar.

Ele assente com a cabeça com uma cara de culpado e vai pro banho.

Dou uma arrumada nas almofadas da sala e volto pra cama em enrolando na cobertor, Abel sai uns 10 minutos depois e seu cheiro de loção masculina da The 1 invade o quarto, respiro fundo vendo ele deitar do meu lado e passar a mão no meu rosto.

– Isso não vai se repetir.

Eu concordo com a cabeça fechando os olhos pra dormir.

– Fala comigo, eu preferia que você estivesse gritando brava, do que em silêncio.

– Você quer que eu pare de trabalhar, você fica nervoso quando eu saio sozinha, mas não se importou de me deixar grávida de madrugada no seu apartamento pra beber.

Ouço ele respirar fundo e concordar com a cabeça.

– Você tem razão, e eu me preocupo extremamente com você, porque você é meu mundo e está carregando meu mundo, eu só quis dar um ombro amigo pro Martins e agi como um moleque.

Eu concordo com a cabeça e ele me dá um beijo no rosto me puxando para deitar de conchinha com ele, o sono que já estava me dominando, me toma por completo, antes de dormir ouço ele tentar brincar, falando "veja isso como uma despedida de solteiro" mas eu estava com sono demais pra respondê-lo.

Acordei no outro dia vendo que ele não estava mais na cama, me levanto olhando meus pés inchado e um mal estar, coloco uma jaqueta que Abel usava do treino, e eu havia roubado por achar linda, e saio do quarto.

Ele está sentado na mesa do café pronto para ir trabalhar, mas a mesa estava toda cheia com coisas da padaria que eu gostava, inclusive muitas coisas com chocolate pra quem não pode comer um chocolate nunca a não ser que seja zero açúcar.

dangerous | abel ferreira Onde histórias criam vida. Descubra agora