TRINTA E QUATRO

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Na bruma leve das paixões que vêm de dentro
Tu vens chegando pra brincar no meu quintal
No teu cavalo, peito nu, cabelo ao vento
E o Sol quarando nossas roupas no varal
Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais
(Anunciação - Mariana Nolasco)

ANA LUIZA

Eu tinha acabado de chegar em casa, minha mãe me olhou desconfiada o caminho todo, ela e Laura queria comemorar o sucesso do desfile, e não entenderam nada quando Abel saiu praticamente fugido do local do desfile sem dar tchau pra ninguém, e as coisas só pioraram quando elas viram o meu estado, não lembro a última vez que eu tinha chorado tanto, meu rosto estava todo inchado e dolorido, foram tantas palavras de acusação, eu não queria acreditar que tudo realmente tinha acontecido dessa forma.

– Lau, você pode ir comprar o teste pra mim? compra uns dois. – Falo aparecendo na sala, minha mãe me olha não parecendo surpresa, Lau apenas concorda pegando a chave do carro.

Eu volto pro quarto, minha cabeça como sempre estava uma confusão, mas agora mais ainda, e se eu tivesse grávida? Nessa situação... não era nem de longe o que eu sonhei.

– Filha, posso entrar? – Minha mãe pergunta e eu concordo. – Você quer conversar?

– Nós terminamos!

– O que? – Ela coloca a mão no coração e eu só balanço a cabeça positivamente. – Eu, sinto muito, seu pai tem culpa nisso né?

– O Abel estava nervoso demais desde que eu contei e ele disse que me evitou um tempo, porque sei lá? Ele ia perder a cabeça? Eu não imagino ele perdendo a cabeça, mas não foi só isso.

Ela respira fundo e eu conto toda a história pra ela, que fica chocada com a história dele ir pra Portugal na bodas de ouro, e até cogitou se era verdade sobre a Mariana, ou se não era algo que a Ana estava inventando pra que ele se sentisse mal, coisas que não saberíamos.

E por fim, falamos da gravidez.

– E se você estiver grávida?

– Eu não sei, óbvio que eu não vou esconder dele, mas eu quero pensar em uma coisa de cada vez, não era esse cenário que eu sonhava sabe?

– Ele se arrependeu, vocês estavam de cabeça quente, tenha calma!

– Ele me magoou com as palavras dele, mas sei que ele não falaria tudo aquilo se não tivesse nervoso, eu conheço ele.

Ela concorda com a cabeça e me abraça.

– Eu ia amar ser vovó. – Ela fala e eu sorrio.

– Eu ia amar ser mamãe.

Nós duas sorrimos, e Laura entra em casa com dois testes, eu respiro fundo e pego eles lendo as instruções, eu nunca precisei fazer um, então meu coração estava na boca, eu estava nervosa demais, minha mão tremia de uma forma que nunca tremeu antes, me tranquei no banheiro, e pensei em gravar esse momento, queria que Abel sentisse um pouco do que eu senti, então coloquei a câmera pra gravar, ela pegava perfeitamente o meu surto, andei pelo banheiro todo, voltei a olhar o potinho, eu chorei, e tudo isso em dois minutos, que foi o tempo do teste ficar pronto.

Peguei os dois na minha mão, e no sensor digital, estava claramente escrito.

"Grávida"

Eu coloco a mão na boca e começo a chorar, eu choro muito, me olho no espelho, coloco a mão na barriga, eu não conseguia parar de sorrir, eu estava sem acreditar, meu Deus eu sempre quis tanto, sempre foi meu maior sonho, e eu estava grávida.

dangerous | abel ferreira Onde histórias criam vida. Descubra agora