QUARENTA E CINCO

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ANA LUIZA

33 semanas de gestação, mais conhecida como 2º semana do oitavo mês de gestação, tudo estava acontecendo muito rápido e estava começando a me assustar, eu estava mais do que nunca decidida com tudo que eu queria no parto, desde a maternidade até o método, mas quando você pensa que faltam apenas 8 semanas, é assustador.

– Eu estou cansada. – Me sento no sofá vendo a quantidade de caixas, finalmente estávamos nos mudando, eu não conseguia fazer muitas coisas, além do meu pé me matando de inchado, eu sempre estava me sentindo mal, então minha mãe e Laura me ajudaram com quase 100% da mudança, além de termos contratado várias empresas para organizar as coisas, eu tinha toque com organização, com uma casa enorme, mais ainda.

– Acho que vai precisar mais de uma doméstica aqui. – Minha mãe fala olhando o tamanho da sala e eu concordo com a cabeça, eu não tinha nenhuma mas levaríamos a que Abel tinha e uma indicação dela.

– Você vai querer babá? – Laura pergunta pegando um salgadinho e deitando no meu sofá de couro branco novinho.

– Tira o pé do meu sofá novo.

– Ai que chata. – Ela tira o sapato e fica só de meia.

– Ela não precisa de babá, tem eu. – Minha mãe fala e eu sorrio.

– Eu já falei que não quero sobrecarregar a senhora.

– E eu já falei que o maior prazer da minha vida vai ser cuidar do meu neto.

Eu concordo com a cabeça não tão segura sobre isso, até tinha conversado com o Abel e sabia que não teria ninguém melhor pra cuidar do Fe quando estivéssemos trabalhando do que a minha mãe, então até pensamos em dar um valor pra ela, sabia que ela não precisava, mas eu iria me sentir menos pior, e isso daria uma confusão pois ela não aceitaria.

– Será que um dia eu vou ter um marido rico pra me dar uma casa dessa? – Laura fala olhando tudo e minha mãe começa a rir.

– Melhor ficar com um pobre do que levar par de chifre de um rico.

– MÃE! – Eu brigo com ela e Laura começa a rir, pra não chorar.

– Não me lembra que ainda é um gatilho muito grande.

– Você não está tão ruim assim... – Começo a lembrar das coisas que minha amiga anda fazendo por ai, e ela arregala os olhos.

– Não me contem, eu não quero ficar traumatizada. – Minha mãe fala desesperada e nós duas começamos a rir.

Abel abre a gigante porte da sala sendo seguido por Chico que estava com uma gravatinha, e mais gordo do que nunca.

– Ele foi tomar as últimas vacinas e a médica falou que precisa começar dar ração de obeso pra ele. – Abel fala mostrando a ração e eu mordo a boca me segurando para não rir, meu cachorrinho estava quase explodindo e a culpa nem era nossa, a veterinária da última vez falou que a o bulldog tem tendência a ser obeso, que deveríamos andar bastante com ele, mas Abel saia com ele na rua, ele dava dois passos e se jogava no chão, não querendo andar.

– Tem algumas creches pra cachorro que faz eles fazerem exercício, tem natação, tem umas esteiras... – Laura fala pegando o celular pra começar a pesquisar e eu me jogo ainda mais no sofá sentindo um chute forte do Fernando, que agora estava doendo mais do que nunca.

Eu sempre estava dolorida, seja pelo pé inchado, pelos chutes do Fernando, ou pelo meu peito que cada dia mais eu achava que ia explodir de tanto leite, a médica tinha me ensinado a começar a estimular pois era tanto leite que estava começando a empedrar, e como Fernando não tinha nascido ainda, se eu não estimulasse ficaria assim, então comprei uma bomba, e me cadastrei em um banco de leite materno, pelo menos 3 vezes na semana eu levava leite materno para doar para as crianças que não tinham quando nasciam, eu ficava feliz demais todas as vezes que ia até lá.

dangerous | abel ferreira Onde histórias criam vida. Descubra agora