Thais 🎀
Depois que o Rodrigo disse que estava tranquilo pra subir, peguei um ônibus com a minha mãe e descemos no ponto de sempre. Subimos até a barreira conversando e vimos a Val subindo também.
Thais:Valéria! –Chamei e ela olhou pra trás dando um sorriso. Ela nos esperou e eu e a minha mãe fomos até ela.
Dona Danda está mais tranquila agora, mesmo que não tenha passado meses ou anos do falecimento da minha tia, a vida tem que seguir aos poucos. Tirando a da Letícia que seguiu em menos de vinte quatro horas.
Valéria:Oi gente. –Nos cumprimentou e começamos a andar juntas falando sobre algumas coisas. Percebi a Valéria bem cansada e o turno dela sempre foi pouco no restaurante, então até cansava mas não tanto.
Thais:Tá tudo bem? –Ela balançou a cabeça e paramos na rua de casa. –Mãe a senhora pode ir, vou andar com a Val até na casa do R10 e depois eu volto.
Danda:Claro, beijo meninas. –Minha mãe virou a rua e eu encarei a Valéria, vendo que ao nosso redor ainda tinha sangue nas paredes.
Thais:Vamos na praça e você vai me contar tudo o que está acontecendo, ok? –Ela balançou a cabeça e viramos no sentido oposta da casa do R10.
Caminhamos em silêncio e antes de chegar na praça eu vi a açaíteria abrindo. Arrastei a Valéria pra lá, paguei nossos açaí e fomos nos sentar nas cadeiras que tinham ali. Recebi uma mensagem e vi que era do Rodrigo, uma foto dele e do rei. Depois eu respondo.
Thais:Pode começar já. –Ela respirou fundo e mexeu um pouco no açaí. –Vamos, Valéria. Eu vou te entender e procurar te ajudar, somos amigas.
Valéria:Tô grávida de três semanas. –Falou e eu abri a minha boca, mas não consegui formular nenhuma frase. –Um choque né? Eu tô muito desesperada, como vou conseguir cuidar de um filho e da faculdade? E se o Pablo não aceitar?
Thais:Calma. É óbvio que ele vai aceitar, foi homem pra fazer e será homem pra assumir! Mas não podemos dizer que você também não errou né? Se sabia que estava no período fértil, deveria ter pedido a camisinha na hora que começou.
Valéria:Eu sei! Só consigo pensar na faculdade, Thais... –Os olhos lacrimejaram e ela chorou colocando as mãos no rosto.
Eu não tinha o que falar, nunca passei por isso antes. Coloquei minha cadeira ao lado da dela, abracei seu corpo e ouvi seus soluços. Uma gravidez não desejada e ainda no meio da faculdade é uma surpresa gigante.
Thais:Olha, independente de tudo eu sou a sua amiga, sua melhor amiga e vou estar aqui pra te apoiar em tudo, ok? Só não tira esse bebê, ele não tem culpa de nada.
Valéria:Jamais pensei em tirar ele, é uma parte de mim agora! –Sorriu em meio às lágrimas e pegou o açaí se levantando. –Preciso contar pro Pablo, você vem comigo?
Thais:Te levo lá, mas como é uma coisa pessoal de vocês, você conta sozinha com ele, ok? –Ela assentiu e eu acompanhei ela até a casa do R10. Me despedi dela com um abraço confortante e ela entrou na casa.
Sai de lá ainda tomando meu açaí e vi o Rodrigo com a moto parada no início da rua, olhando pra mim. Ele abriu um sorriso e eu andei até ele, deixando um selinho em seus lábios.
Coronel:Não me chamou pra te buscar.
Thais:Subi com a minha mãe e a Val. Acabei de deixar ela aqui. –Ele balançou a cabeça, pegou o meu copo e comeu do meu açaí. –Me deixa em casa?
Coronel:Deixo. –Subi na garupa dele e o mesmo acelerou me fazendo agarrar à cintura dele. Rodrigo riu e eu chamei ele de palhaço. –Tá entregue.
Thais:Lembrei agora, meu aniversário tá chegando em. –Falei e ele riu perguntando quando era. –Dia vinte de agosto. –Respondi vendo ele rir de novo. –Tá perto, tá? –Me iludi sozinha. –Aposto que o seu tá mais longe.
Coronel:É depois de amanhã, feiosa. –Me assustei e ele sorriu. –Vou meter o pé, qualquer coisa me liga, jaé? –Só balancei a cabeça, ele me deu um selinho e saiu com a moto.
Se ele tivesse me dito que já era na sexta, eu tinha pensado em algo. Entrei em casa vendo a minha mãe sentada no sofá e contei pra ela. A minha maravilhosa mãe me deu a ótima ideia de fazer um bolinho aqui em casa, eu nem neguei, amo aniversários e acho que são datas importantes. Devem ser comemoradas.