Capítulo 29: Ligações

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Gonzalez

Sempre dizem que quando algo está ruim pode pior. E acreditei firmemente nisso a minha vida toda. A minha mãe teve o seu papel, já que graças a ela passei grande parte da minha vida esperando por um suposto pai amoroso. Apesar da minha mãe não ter vivido na seita, ela criou uma ideia ilusória de que o meu pai, o senhor Petrovis, era a única pessoa no mundo capaz de entende-la e salvá-la de sua própria solidão.

Ela acreditava que não existia ninguém melhor que ele, nem mesmo o seu próprio filho. Para ela, a minha presença era uma constante lembrança do quão cruel o meu pai poderia ser, recordando-a constantemente da sua decepção. Ninguém conseguiria tratar o filho bem diante de tal situação.

E o que poderia esperar de uma criança que não recebeu atenção suficiente ou amor?

Decepção, necessidade de atenção, insegurança e problema emocional. Admitia que tinha a maior parte desses problemas, mas escolhi ir atrás das pessoas que faziam as outras sofrer. Nunca iria ser como o meu pai.

E, talvez, por isso quando pegava algum caso envolvendo violência contra mulheres sentia a minha obrigação em resolvê-lo para levar os culpados a justiça. Como se fosse um tipo de destino.

Segurei com firmeza a gravação que Adam, o dono da loja, me forneceu estranhamente fácil ao voltar ao carro. Peguei o notebook e comecei a ver a gravação a partir de três antes do suposto desaparecimento dela. Apesar de ter colocado o vídeo em velocidade 2x foi perceptível a normalidade.

Ninguém aparentemente agindo de forma furtiva e nem sinais de sequestro. A normalidade também poderia ser considerado um sinal. Voltei mais alguns dias na filmagem buscando qualquer coisa até parar a filmagem. Uma semana antes dela desaparecer uma van foi estacionada em frente a capa. Uma pessoa parecia carregar um tapete para o prédio, mas curiosamente, usou uma chave, já que não o vi pressionar interfone.

Tinha encontrado o culpado. E a vitima tinha sido morta muito tempo antes do previsto. Iria pesquisar sobre a van, mas tinha certeza que seria roubada ou a placa seria falsa.

Porém era uma pista valiosa.

Imerso em minha pequena vitória escutei o meu celular tocar sem muito entusiasmo, já que ligações sempre eram sinais de má sorte. Atendi sem muita vontade e querendo desligar quando fui surpreendido por uma noticia: Edna Falcon tinha desaparecido.

As coisas estavam ficando interessantes.

Um assassino com motivação controversa com duas vitimas até o momento: a sobrinha do governador, uma pianista espetacular com uma possível vida dupla e a outra é uma jovem sem educação formal sem ligação com a primeira vitima.

E agora tinha o desaparecimento da irmã da primeira vítima. Uma pessoa com tendências estranhas a perseguir a própria irmã.

Começava a suspeitar que Edna tinha sido a culpada.

Enviei a gravação para o FBI, esperando que pudessem fazer uma mágica e ele for identificado. Essa era a minha única esperança para que tudo começasse a fazer sentido.

Ainda que estivesse tentado a voltar o mais rápido possível, esperei ao avaliar a situação. Precisava descobrir mais sobre Clarice Gouveia, a segunda vitima encontrada.

Voltei ao seu apartamento, buscando qualquer telefone ou contato frequente. Anotei cada um deles, busquei pelo endereço e fui até eles. Quando uma pessoa não deseja ser encontrada, a ultima coisa que faria seria sair com o celular que poderia rastrear os seus passos.

O primeiro endereço foi da ultima pessoa com quem falou, de acordo com o registro do telefone enviado anteriormente pelo FBI, Vanessa Mistres. Sobrenome incomum, quase parecendo falso.

Inseri o nome no banco de dados da policia, o endereço apareceu segundos depois. E curiosamente era bem perto.

Vanessa Mistres tinha vinte e quatro anos, não estudou com Clarice e aparentemente sem ligação. Talvez trabalhassem juntas.

Dirigi para o local que constava como o seu endereço parando em uma casa de dois andares. A fachada estava um tanto desbotada como se ninguém se importasse com a pintura ou fizesse manutenção constante. Bati na porta preparado para mostrar o meu distintivo quando a porta abriu. Pareceu até cena de um filme de terror. O som da porta rangendo, a escuridão dentro da casa e o suspense sobre quem poderia me recepcionar.

— Quem é você?

A voz assustada e cheia de medo fez apenas uma combinação a mais a cena.

— Agente especial federal Gonzalez. Sou do FBI. — mostrei meu distintivo com um sorriso aparentemente amigável no rosto. A resposta da pessoa foi um tanto inesperada: fechou a porta na minha cara.

Apesar de não ser algo incomum foi a primeira vez que isso acontecia desse jeito. Olhei para a porta, batendo novamente de forma incessante. Nunca fui o tipo de pessoa que curtia ser ignorado. Continuei insistindo como um maluco qualquer até que a porta foi aberta novamente.

— Não fecha a porta. Não quero acusa-la de obstrução. — Falei rapidamente para evitar que ela fechasse a porta novamente. — Vanessa Mistres? — A mulher continuou me olhando em silencio sem esboçar qualquer reação. — Preciso de informações sobre uma conhecida sua, Clarice Gouveia.

A expressão dela finalmente mudou como se estivesse reprimindo algo.

— O que você deseja?

— Investigar a vida dela. Clarice foi encontrada morta, você deveria saber sobre isso.

— Clarice está morta? — A voz dela tremeu. Como ela não soube sobre isso? Concordei em silencio. Não demorou um minuto para ela começar a chorar. Seu choro de suave tornou-se repleto de desespero. Não imaginava que fossem tão próximas. Pedi para entrar, mostrando novamente meu distintivo. Desta vez, ela abriu a porta.

A casa dela era bagunçada.

Coisas espalhadas pelo chão despreocupadamente, latas de cerveja vazias amassadas, saco de lixo vazios e poderia jurar ter visto algo correndo de um lado para o outro. Deve ser minha imaginação.

— Como aconteceu?

— Ela foi atacada. Não sabemos muitos detalhes ainda, por isso, estou buscando conhecidos que possam me falar sobre ela e pessoas suspeitas.

— Disse que era do FBI. Qual a relação dela com o FBI?

— Bem, o assassino dela atacou outra pessoa. Minha missão é pegar o assassino. Mas precisa de sua ajuda para isso, tudo bem? — Ela pareceu hesitar um pouco antes de concordar. — Como vocês se conheceram? Encontrei o seu numero no histórico do celular dela.

— Trabalhamos juntas, quero dizer, trabalhávamos.

— Onde?

— Em uma boate.

— O que faziam e qual era o nome do lugar?

— Éramos garçonetes e... acompanhantes. Trabalhávamos em um clube privativo por alguns meses ano passado.

Finalmente começava a conectar os pontos. Tudo o que restava era entender o papel da Elina. 

CONTINUA...

semana que vem :)

Dinastia - Livro 2 de ImpérioOnde histórias criam vida. Descubra agora