Capítulo 18 : Além das aparências.

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Adam Grey

Meu coração batia forte contra o peito conforme os gritos ficavam mais altos. As lágrimas banhavam meu rosto, e eu soluçava silenciosamente. O som estridente de um vaso caindo no chão se espatifando chegou aos meus ouvidos, junto com o grito desesperado da minha mãe. Coloquei as mãos nos ouvidos, desesperado, e me encolhi na cama, rezando para que eles parassem de brigar. Pedi para que eles não brigassem nunca mais, me perguntando por que brigavam tanto.

Depois de algum tempo, abri os olhos e vi os vários desenhos colados na parede. Meus olhos se focaram no desenho que estava bem no meio. Era o desenho da nossa família: eu, papai e mamãe.

Corri até o desenho, arrancando-o da parede e segurando-o contra o peito. Sentei no chão enquanto chorava e soluçava, sem sequer conseguir respirar. Ainda escutava minha mãe pedindo para que ele parasse, repetindo vez após outra que o amava.

E como se Deus estivesse me ouvindo, um estrondo vindo do andar debaixo foi tudo que escutei antes de tudo ficar silencioso.

Mesmo depois que eles pararam de brigar, as lágrimas continuaram a cair lenta e dolorosamente, escorrendo pelo meu rosto e molhando meu pijama, molhando o desenho da nossa família.

Acordei sobressaltado, com o coração ainda apertado pela angústia e desespero.

Passei a mão nos cabelos e no rosto, percebendo que estava suado e com a pele gelada. Levantei da cama, desnorteado, e ao olhar para frente, deparei-me com a mesma parede onde, há alguns anos atrás, estavam repletos de desenhos.

Rapidamente, virei-me, temendo que as lembranças cruéis retornassem. Foi então que me deparei com a caixa de sapato em cima da minha cama. Me aproximei lentamente e peguei a primeira coisa, vendo que era o mesmo desenho do meu sonho.

Engoli em seco.

Na noite anterior, eu estava ansioso demais, pilhado, irritado e prestes a ter uma crise de ansiedade. Nessas horas, a única coisa que me acalmava era olhar o rosto da minha mãe nos porta-retratos. Então peguei aquela caixa que eu guardava a tanto tempo. Nas fotos, ela sempre estava sorrindo, ao contrário da realidade, onde seu rosto estava marcado por golpes e lágrimas.

Coloquei o desenho de lado e agarrei a caixa, sentando-me e colocando-a sobre o meu colo.

Dentro da caixa, havia uma variedade de coisas: pequenos objetos, fotos e, principalmente, desenhos. Passei as folhas, percebendo que todos eles retratavam nossa família. De novo, de novo e de novo. Esses desenhos pareciam um grito silencioso, um pedido pela única coisa que eu sabia, no fundo, que nunca teria: uma família.

Guardei tudo de volta na caixa e a coloquei debaixo da cama, respirando fundo.

Eu precisava tomar uma decisão...

[...]

Empurrei a porta do escritório do meu pai com determinação. Estava cansado de toda essa ladainha, farto de todos os dias que tive que passar nesta casa cheia de lembranças que eram tudo menos boas. Cansado de evitar meu pai, Ryan e sua mãe. Meu coração batia forte quando finalmente meus olhos encontraram os dele.

Ele parecia um rei em seu trono, sentado naquela poltrona dentro do escritório luxuoso, atrás da grande mesa cheia de documentos. Ryan, sentado de frente para ele, olhou sobre o ombro e, ao perceber que era eu, apenas revirou os olhos e soltou um longo suspiro, como se eu fosse um intruso.

Sentimentos Proibidos : Sendo reescrito Onde histórias criam vida. Descubra agora