Sienna Cameron
Positivo.
A palavra ecoava incessantemente na minha mente, repetindo-se como um mantra inescapável. Eu havia feito o teste de gravidez naquela manhã, três vezes para ser mais exata, e todos haviam dado positivo. Eu estava grávida. Grávida de Adam.
A realidade dessa descoberta havia me atingido como uma onda avassaladora, deixando-me choque. Cada batida do meu coração parecia amplificar a verdade que agora carregava dentro de mim.
O futuro, que antes parecia tão certo, agora estava envolto em incertezas e medos. Como eu contaria a Adam? Como isso mudaria nossas vidas? As perguntas se acumulavam, mas uma coisa era certa: nada mais seria como antes. Eu estava grávida de Adam, e essa nova vida dentro de mim mudaria tudo para sempre.
Olhei para o campo à minha frente, com os olhos presos na figura loira de expressão séria que corria pelo campo segurando um taco. Caleb odiava esportes, mas eu não podia deixá-lo ficar as tardes inteiras sozinho em seu quarto, cercado apenas de desenhos.
Eu pensei que nunca mais seria mãe, que Caleb seria minha única preocupação. Mas agora as coisas haviam mudado. Eu estava grávida e nem sequer me sentia feliz. O sentimento era o mesmo de quando estava grávida de Caleb.
Uma apatia tão grande, acompanhada de um sentimento de tristeza que me deixava anestesiada, me impedia de sentir nada além disso.
Eu devia ter sido mais cuidadosa, devia ter agido como uma mulher responsável e não ter deixado meus desejos me dominarem. Para começo de conversa, eu nem deveria ter olhado para Adam aquele dia no bar.
Enquanto eu observava Caleb no campo, uma lágrima solitária escorreu pelo meu rosto sem que eu pudesse controlar. Eu sabia que precisava ser forte, não só por mim, mas por ele também. Caleb precisava de uma mãe presente, alguém que pudesse guiá-lo e apoiá-lo, mesmo quando tudo parecia desmoronar.
O vento voltou a soprar, trazendo consigo uma sensação de renovação. Talvez, pensei, essa nova vida dentro de mim pudesse ser uma chance de recomeço. Talvez eu pudesse encontrar a felicidade que tanto me escapava nesse bebê, fruto de um amor que tomava conta de cada minina parte minha.
Caleb olhou para mim e sorriu, um sorriso tímido, mas cheio de esperança enquanto corria na minha direção. Eu precisava ser a mãe que ele merecia, a mãe que essa nova criança também merecia. Eu tinha enfrentar meus demônios, e encontrar uma maneira de transformar essa apatia em amor e cuidado.
Levantei da arquibancada e abri os braços pronta para receber seu abraço.
— Eu consegui mãe! — ele disse ofegante enquanto me apertava entre seu braços pequenos.
— Eu sei meu amor. — É então me afastei deixando um beijo nos seus cabelos.
Depois de Caleb correr até o vestiário e voltar com sua mochila e roupas limpas, peguei em sua mão é caminhamos em direção a nossa casa.
— Podemos passar na sorveteria? — perguntou com os olhinhos pidoes.
Cerrei os olhos em sua direção.
— Podemos, seu malandrinho.
Alguns metros a mais e já estávamos entramos na sorveteria. O cheiro doce de baunilha e chocolate nos envolveu imediatamente. Caleb correu até o balcão, os olhos brilhando com a variedade de sabores.
— Qual você vai querer hoje? — perguntei, já sabendo a resposta.
— Chocolate com menta! — ele exclamou, quase pulando de alegria.
Fiz o nosso pedido e fomos nos sentar em uma das mesas que fica bem ao lado das enormes janelas. Enquanto esperávamos, Caleb se virou para a janela e seus olhos se arregalaram.
— Mãe, olha! — ele apontou.
Olhei na direção que ele indicava e vi Adam estacionando sua moto do outro lado da rua. O ronco do motor cessou, e ele tirou o capacete com um movimento lento, quase ritualístico, libertando os fios escuros que caíram desordenadamente sobre sua testa. Sua expressão, geralmente descontraída, estava agora marcada por uma seriedade incomum, quase sombria.
Os olhos castanhos, que tantas vezes brilhavam com uma alegria contagiante, estavam cercados por círculos escuros, como se noites mal dormidas tivessem deixado suas marcas. Seus ombros, outrora relaxados, estavam rígidos e tensos, como se carregassem o peso do mundo.
— Posso falar com ele mamãe? — Caleb me perguntou sorrindo, e todo o meu corpo reagiu a aquela pergunta.
Não, ele não podia falar com Adam. Eu não podia falar com Adam. Mas como eu explicaria a complexidade de toda essa situação para ele sem fazê-lo odiar o pai ainda mais.
Engoli seco com o coração batendo mais rápido do que devia.
— Pode, mas seja rápido. Seu pai está nos esperando em casa.
Caleb correu até a porta e atravesso o estacionamento chamando por Adam, que se virou com um sorriso crescendo lentamente no rosto ao ver Caleb.
Caminhei até o estacionamento segurando minha bolsa como se fosse um bote salva vivas e me mantive a uma distância segura de Adam, apenas observando os dois.
— Oi, campeão! — Adam disse, bagunçando o cabelo de Caleb. — Como você está?
— Eu aprendi a jogar basebol? — Caleb respondeu, o orgulho evidente em sua voz.
— É como foi?
— Primeiro eu pensei que não conseguiria, mas então a mamãe me disse que eu era capaz de fazer qualquer coisa que eu quisesse. É eu consegui!
Adam olhou para mim, seus olhos brilhando com uma mistura de admiração e aquele turbilhão de sentimentos que sempre existiu entre nós. Sob seu olhar intenso, senti como se o ar tivesse sido arrancado dos meus pulmões. Todos os nossos momentos juntos passaram rapidamente diante dos meus olhos, e meu corpo inteiro estremeceu, implorando para que eu caminhasse até ele e o tocasse.
Meu coração batia descontroladamente contra o peito, implorando para liberar as palavras que estavam presas na minha garganta, palavras que eu sabia que nunca seriam ditas.
Mas essa é a maldição dos sentimentos proibidos. Nosso corpo sofre, queimando com o desejo de tocar quem nosso coração não pode amar. Cada fibra do meu ser clamava por ele, mas a realidade cruel nos mantinha separados, deixando apenas a dor e o anseio em seu lugar.
Ele nunca saberia que eu carregava um filho seu. Revelar essa verdade colocaria tudo em risco, não apenas nossas vidas, mas também as de todos ao nosso redor. Alana, meus pais, Caleb, e agora esse bebê inocente que crescia dentro de mim.
Cada escolha que eu fazia era um passo em direção a um futuro incerto, um futuro onde a segurança de todos que eu amava estava em jogo. O peso dessas decisões me esmagava, mas eu sabia que precisava ser forte. Escolhas tinham que ser feitas, e eu escolhia proteger aqueles que amava, mesmo que isso significasse carregar esse segredo sozinha. A responsabilidade era minha, e eu estava disposta a suportar qualquer sacrifício para garantir a segurança de todos.
Continua....
Se preparem a partir do próximo capítulo o bagulho vai ficar doido kkk
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@mikaeli_salesMe mande na ADM o que vc está achando da história! ❤️
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Sentimentos Proibidos : Sendo reescrito
RomanceSienna Cameron vive uma vida de aparências, lutando diariamente para manter a fachada de perfeição enquanto enfrenta um casamento abusivo e a responsabilidade de criar seu filho. A pressão é constante, e a esperança parece uma ilusão distante. Mas...