Capítulo 52 : Julgamento

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Adam Grey / Um mês depois

Jeson podia ter morrido, mas isso não queria dizer que estava tudo bem. Longe disso. Esse último mês foi um verdadeiro inferno nas nossas vidas. Além de ter que lidar com a minha recuperação, tivemos outros desafios.

Sienna foi retirada do cargo de diretora e acusada de assassinato. Para a maioria das pessoas da cidade, eu e Sienna havíamos premeditado a morte de Jeson para podermos ficar juntos. Estávamos nos jornais, na internet e na boca de todos que moravam em Alto Mar. Cada um tinha uma teoria pior que a outra.

Mas agora isso estava prestes a acabar. Sentei-me no banco dos réus, ao lado de Sienna. O tribunal estava lotado, com jornalistas e curiosos ansiosos para ver o desenrolar do que chamavam de "O Caso de Sienna e Adam". Eu podia sentir o peso dos olhares sobre nós, mas minha atenção estava focada no juiz, que se preparava para iniciar a sessão.

- Senhoras e senhores, estamos aqui para julgar as acusações contra Adam Grey e Sienna Cameron - anunciou o juiz, sua voz ecoando pelo salão. - Adam Grey é acusado de fraude e negócios ilícitos, enquanto Sienna Cameron enfrenta a acusação de assassinato de Jeson Cameron.

Olhei para Sienna, que estava ao meu lado. Seus olhos encontraram os meus, e eu pude ver o medo em seu olhar. Levei minha mão até a sua, entrelaçando nossos dedos enquanto tentava acalmá-la.

A promotoria começou apresentando suas provas contra mim. Documentos, testemunhos, tudo parecia cuidadosamente orquestrado para me incriminar. Mas eu sabia que tinha uma carta na manga: a pasta que havia ficado com Alana, a mesma que Jeson tentou recuperar na noite em que foi morto.

Quando chegou a vez da defesa, meu advogado se levantou e começou a desmontar as acusações, peça por peça.

- Senhoras e senhores do júri, as provas contra Adam Grey são fabricadas. Temos aqui uma pasta que contém documentos que provam sua inocência - disse ele, levantando a pasta para que todos pudessem ver.

A sala ficou em silêncio enquanto ele abria a pasta e começava a apresentar os documentos. Cada página era uma prova de que eu não estava envolvido em nenhum negócio ilícito. Eu podia ver a expressão de surpresa no rosto do promotor.

Então, foi a vez de Sienna. Seu advogado argumentou que ela agiu em legítima defesa.

- Na noite em que Jeson foi morto, ele estava não só tentando recuperar esta pasta, que continha provas que poderiam inocentar Adam, como também foi ao local com a intenção de assassinar sua esposa - explicou ele. As pessoas ao redor arfaram. - Sienna agiu em legítima defesa para proteger Adam e a si mesma.

Sienna contou sua versão dos fatos, descrevendo como Jeson a atacou e como ela teve que se defender. Sua voz era firme, mas eu podia ver a dor em seus olhos ao reviver aquele dia.

Quando o julgamento chegou ao fim, o juiz pediu ao júri que se retirasse para deliberar.

- Está demorando demais - disse Sienna, andando de um lado para o outro e passando a mão sobre a barriga.

- Ei - chamei, segurando sua mão e fazendo-a parar e me encarar com uma expressão ansiosa. - Vai ficar tudo bem - afirmei, colocando seu cabelo atrás da orelha.

- Não tenho certeza disso, Adam - ela murmurou, abaixando o olhar.

- Mas eu tenho - afirmei, usando um dedo para erguer sua cabeça. - A perícia já foi feita e vai bater exatamente com a sua versão. Você está falando a verdade, não tem o que temer.

- Eu sei, mas sempre acontece alguma coisa que nos faz dar dois passos para trás. Tenho medo que isso aconteça mais uma vez - ela engoliu seco. - Seu pai está tão quieto.

- Ele está com medo, sabe que nós temos a pasta.

Ela me encarou hesitante e então me abraçou. Coloquei o queixo sobre sua cabeça enquanto acariciava suas costas. Eu entendia sua ansiedade porque o tempo parecia se arrastar enquanto esperávamos o veredicto. Mas aquilo era normal.

Olhei para o meu advogado, vendo-o chamar nossa atenção. Finalmente, o júri retornou, e o juiz pediu que o veredicto fosse lido.

O silêncio no tribunal era palpável enquanto o porta-voz do júri se levantava. Sienna apertou minha mão com força, e eu podia sentir meu coração acelerado.

- Em relação às acusações contra Adam Grey e Sienna Cameron, o júri declara ambos os réus... - Prendi a respiração. - Inocentes - anunciou o porta-voz do júri.

Senti um alívio imediato e sorri, virando-me para Sienna, que me olhava com um sorriso largo e olhos arregalados.

- Nós conseguimos - ela murmurou, incrédula. Eu apenas concordei com a cabeça antes de puxá-la para um abraço.

- Estamos livres, meu amor.

[...]

Sienna se deitou sobre o meu peito com um sorriso satisfeito no rosto, enquanto eu encarava o teto, tentando controlar toda a felicidade que havia dentro de mim. Estávamos finalmente juntos. Olhei para ela, vendo que traçava um caminho com a ponta dos dedos sobre o meu peito, com um olhar distante e sonhador.

- Posso saber o que está se passando nessa cabecinha? - perguntei, passando meus dedos entre seus cabelos. Ela se virou para mim, cruzando os braços acima do meu peito, de modo que pudesse me encarar.

- Estava pensando no futuro.

Sorri.

- E quais são os seus planos para o futuro, Sienna?

- São muitos. Não sei se você está preparado - disse ela, com um brilho travesso nos olhos.

- Está duvidando de mim? - ergui uma das sobrancelhas, desafiando-a.

- Nova York, uma casa nova, um restaurante... - Ela soltou com um sorriso tão bonito que quase me fez desmanchar.

- Um restaurante?

- Sim, eu andei pensando. Você pode cozinhar e eu administrar. O que você acha?

- Acho ótimo. Não tem nada que possa me fazer mais feliz do que construir uma vida para nossa família.

- Já disse que eu te amo hoje?

- Disse, mas eu aceito ouvir mais uma vez sem problemas - afirmei, arrancando uma risada dela.

- Eu te amo, Adam Grey - disse ela, me olhando com tanta intensidade que me deixou sem fôlego.

- Eu te amo mais - afirmei, puxando-a para um beijo. É não importa quantas vezes eu beijasse Sienna, nunca seria o suficiente. Eu tinha medo de que uma vida não fosse o suficiente. E então eu rezava para que existissem muitas outras.

- Mas você sabe que pode demorar, né? - Ela perguntou assim que se afastou de mim. - Vai ser difícil construir uma vida do zero fora daqui.

- Não me importa. Porque no final vai valer a pena - afirmei, acariciando seu rosto bonito e vendo-a virar o rosto para deixar um beijo na minha mão. - Mas nós podemos começar por algo mais fácil.

- Que seria?

- O que acha de um casamento? - As palavras mal deixaram minha boca e meu coração já estava batendo rápido. Sienna abriu a boca e fechou várias vezes, parecendo chocada.

- Adam o que você...

- Case-se comigo, Sienna. Não prometo te dar meu coração, pois você já o tem desde que eu te vi pela primeira vez. Mas prometo dedicar cada segundo da minha vida inteiramente a você e aos nossos filhos. Não prometo trazer rosas todos os dias, mas prometo te tratar como uma.

- Sim - ela sussurrou, com lágrimas trilhando caminhos pelo seu rosto. Então eu a beijei com força, sentindo seu coração bater contra o meu. Naquele momento, eu vi que tudo que passamos valeu a pena. Pois eu passaria por tudo de novo se soubesse como séria o fim.

E enquanto o sol começava a se pôr, lançando um brilho dourado sobre nós, Sienna e eu fizemos planos para nosso futuro. Um futuro cheio de amor, risos e, acima de tudo, esperança.



Sentimentos Proibidos : Sendo reescrito Onde histórias criam vida. Descubra agora