Capítulo 11 : A festa / parte 3

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Sienna Cameron

Adam me seguia enquanto passávamos por entre os grupos de adolescentes bêbados. Alguns me olhavam confusos, outros sequer ligavam, ou porque estavam muito bêbados ou porque estavam acostumados com o fato de que eu constantemente buscava a Alana em festas. Só que agora era diferente. Alana havia me ligado com a voz embargada. Eu podia escutar a sua voz falha e soluços que ela tentava segurar. E isso me deixava muito preocupada porque, apesar de ser a mais nova, a Alana nunca em hipótese alguma chorava. Ela era forte por nós duas.

Meus olhos vasculharam cada um dos rostos em busca, o celular em minhas mãos com seu bipe insistente chamava sem parar seu número, mas só encontrava a caixa postal.

— Ela sempre atende. — murmurei, preocupada.

— Vamos tentar lá em cima. — sugeriu Adam, apontando para o segundo andar da mansão.

Subimos as escadas, desviando de casais que dançavam e se esfregavam e dos grupos animados. Chegando ao corredor dos quartos, a música se tornava menos ensurdecedora. Escolheu uma porta ao acaso e girou a maçaneta, mas a porta não cedeu.

— Está emperrada. — disse, empurrando com mais força.

Adam se juntou a mim, e juntos, colocamos o peso contra a porta. Com um estalo alto, ela se abriu, lançando-nos para dentro do quarto escuro. Adam me segurou antes que eu caísse, e suas mãos se encontraram.

— Obrigada. — disse me desvencilhando do seu toque que parecia queimar na minha pele.

Adam achou o interruptor e a escuridão do quarto foi substituída pela luz da lâmpada. Enquanto o celular ainda chamava, fui em direção a uma porta adjacente onde ficava o closet e vasculhei à procura de Alana, mas sem sinal dela.

— Não tem ninguém no banheiro. — Adam disse, saindo do outro cômodo.

— Ai deus! Onde esta garota se meteu?

— Calma, vamos procurar nos outros quartos.

Segui a Adam até a porta, mas quando ele puxou a maçaneta a porta sequer se mexeu.

— Droga! — Ele praguejou baixo.

— O que foi? — perguntei olhando sobre o ombro.

— Emperrado de novo.

O desespero se fez presente e meu coração acelerou.

— Como vamos sair daqui?!

— Não sei. — Ele se virou para mim com uma expressão preocupada. — Talvez, se eu ligasse pra...

— Não! — ele franziu as sobrancelhas, confuso. — Você não pode simplesmente ligar pra alguém. O que pensariam se vissem nós dois sozinhos dentro de um quarto em uma festa?

— Sienna...

— Não Adam! — interrompi nervosa. — Minha irmã vai me atender e então eu vou pedir pra ela vir nos ajudar.

— Tudo bem, fica calma. — Ele se aproximou colocando as mãos nos meus ombros. — Não vou ligar pra ninguém.

Suspirei, notando que eu havia ficado nervosa demais.

O gesto dele me tocar, para alguém de fora, não passava de algo simples, mas para nós dois, era mais. Eu sabia porque, ele sabia o porquê. Era como se ele desejasse tanto me tocar que nada mais importava.

O silêncio entre nós era carregado, e eu podia sentir a tensão no ar. Ele olhava para mim, seus olhos refletindo uma mistura de frustração e algo mais, algo que eu não conseguia identificar.

Sentimentos Proibidos : Sendo reescrito Onde histórias criam vida. Descubra agora