Capítulo 2- A tragédia

171 37 289
                                        

⚡️AVISO DE GATILHO: Esse capítulo contém menção a morte por forma violenta. ⚡️

"Você me admirava ontem
E eu serei pó para sempre amanhã"
-Mon amie la rose (Françoise Hardy)

🍇🍇🍇

Eduardo era uma figura angelical. Julian percebeu desde o início.
Ele tinha aquele brilho dourado em torno de si.
Foi por isso que, desde o primeiro momento, ele quis se aproximar. Procurava maneiras de como fazer isso sem que parecesse estranho.
Ele o observava durante as aulas. Via seus traços delicados. Quando Eduardo levantava os olhos, ele desviava o olhar, fingindo que estava prestando atenção em outra coisa.
Não soube de onde tirou coragem para se aproximar naquela manhã.
Ele segurava um pacote de bolachas de chocolate.
"Me dá uma?", perguntou, de modo inocente.
🍇🍇🍇
Era abril de 1995 quando receberam a notícia. No fim da tarde, Marta Socorro Souza havia ido à padaria comprar pão, prometendo ao filho mais novo que voltaria rápido. Às 19h ela ainda não voltara. Foi quando os vizinhos se prontificaram a procurar pela dona de casa pelo bairro e proximidades.

Se passaram dois dias até encontrarem um corpo feminino usando um vestido rosa floral num terreno baldio coberto por mato.

Ninguém entendeu o que aconteceu. Sua carteira com dinheiro e a sacola com os pães ainda estavam por perto. Nada faltava. Sinais de violência foram encontrados. Parecia ser um crime cometido unicamente pela brutalidade. Pelo prazer de ver o sofrimento alheio.

Eduardo bateu na porta de Julian assim que descobriu. Não foi difícil encontrar o endereço, apesar de nunca ter ido até sua casa. Sabia o bairro e saiu perguntando pra moradores onde encontrar a família Souza.

O pequeno garoto de olhos castanhos e roupas refinadas se surpreendeu ao ser envolvido pelos braços do amigo,que imediatamente se debulhou em lágrimas ao encontrar o ombro do outro. Só naquele momento ele se deu conta do que tinha acontecido. Que sua mãe não estava viajando ou na casa de alguma amiga. Ela estava morta. Não a veria mais depois de chegar da escola, nem receberia seu costumeiro beijo na testa ou sentiria o cheiro do beliscão de goiabada recém saído do forno.

Foi naquele momento que Eduardo entendeu que a amizade deles havia alcançado novos níveis. Não eram apenas meros colegas de escola. Eram dois jovens descobrindo o lado obscuro da vida, que os monstros das histórias infantis existiam.

O amor tem sabor de amorasHistórias para pegar e não largar. Descubra agora