Capítulo 10 - Jorge

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Residencial Jardim, Méier

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Residencial Jardim, Méier

_ Jorge, tudo bem? - pergunto, batendo na porta do banheiro com um tom preocupado.

_ Tá sim, tia - ele responde, a voz um pouco abafada do outro lado da porta.

Sinto um peso no peito enquanto me afasto, indo para a cozinha. O fim de semana que Jorge passou na minha casa tem sido um turbilhão de emoções, e a situação dele me afeta profundamente.

Jorge contou que a mãe não voltou para casa depois de dias, e o dono da casa o colocou na rua devido à ausência prolongada dela. A história dele é um golpe direto no coração, um lembrete cruel das dificuldades que muitas crianças enfrentam.

Falei com Clara, que rapidamente se mobilizou para ajudar a encontrar um abrigo para ele. Mesmo que a ideia de um abrigo não me parecesse ideal, era o melhor que podíamos fazer no momento.

Enquanto me movo pela cozinha, preparando algo para o café, meus pensamentos estão com Jorge.

O desejo de dar a ele uma sensação de segurança e normalidade é intenso, mas a realidade é que a solução temporária no abrigo é a única opção disponível no momento. 

O menino sai do banheiro, agora vestido com uma das roupas novas que comprei para ele. A camisa e a calça ainda estão um pouco grandes, mas o ajuste é o menos importante. O essencial é que ele pareça um pouco mais confortável e limpo.

_ Senta aqui - digo, ajudando-o a se acomodar na banqueta da cozinha. Coloco o pão e o achocolatado diante dele, um gesto simples de cuidado em meio ao caos. 

_ Come tudo, depois vamos te levar para um lugar - informo, enquanto preparo uma xícara de café para mim, o aroma do café misturando-se com o cheiro do pão quente.

_ Pra onde, tia? - ele pergunta, dando uma mordida hesitante no pão, seus olhos observando-me com uma mistura de curiosidade e ansiedade.

_ Um lugar onde você possa morar - respondo, tomando um gole do meu café. A minha voz tenta ser firme e tranquilizadora, mas uma ponta de tristeza se infiltra nas palavras. 

Ele me analisa por um momento, a expressão no rosto mudando lentamente para uma tristeza profunda. O sorriso que ele havia tentado manter se desmorona, e a angústia nos seus olhos é visível.

_ Não posso morar com você? - pergunta, a voz pequena e trêmula enquanto dá mais uma mordida no pão, mas agora a comida parece ser um mero consolo diante da nova realidade que ele enfrenta.

A pergunta é um golpe no coração, a simplicidade e a sinceridade do desejo de Jorge de encontrar um lar em mim é esmagadora.

Olho para ele, o desejo de oferecer a ele uma resposta positiva e reconfortante quase me sufoca. Mas, por mais que eu queira, a situação atual não permite que ele fique comigo.

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