Alex Eduardo

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*O Reino dos Sonhos*

Sempre achei nosso mundo tedioso e complicado, principalmente quando saí da adolescência para a vida adulta. Tornou-se cansativo demais. Mal tenho tempo para descansar ou fazer algo que genuinamente queira, porque já estou exausto. Quando você se forma no ensino médio, precisa arrumar um trabalho para não ser um desempregado, escolher uma faculdade sem nem saber o que quer ser direito. Viver rotinas repetitivas, dia após dia, só para conseguir o mínimo de dignidade. Muitos chamam isso de "crise dos 18 anos". Eu chamo de auto-pressão imposta pela sociedade, uma corrida de ratos interminável.

Mas não vim aqui para falar de coisas chatas. Vim contar sobre a vez em que encontrei outro mundo, completamente louco, onde as regras da física e da realidade simplesmente não se aplicam. Um lugar ao qual vamos todas as noites, assim que fechamos os olhos e adormecemos — e na maioria das vezes, esquecemos o que vivemos lá. Mas, dessa vez, foi diferente.

Esse lugar é o Reino dos Sonhos.

***

Era uma noite comum. Tinha acabado de deitar na cama após mais um dia maçante e já estava meio sonolento. Assim que fechei os olhos, fui transportado para um lugar estranho. Quando abri os olhos novamente, estava em uma cidade vazia. As casas eram idênticas umas às outras, com paredes brancas e janelas pequenas. Estava sentado em um ponto de ônibus deserto, cercado pela escuridão, exceto por uma luz amarelada vinda de postes enferrujados.

Levantei-me, confuso, tentando entender onde estava. Meu coração disparava e minha respiração estava pesada. "Onde eu estou?", pensei.

Caminhei pelas ruas intermináveis. A cidade parecia se estender infinitamente, com casas iguais em todas as direções. Andei por bastante tempo, até avistar uma rua diferente. Corri na sua direção com esperança, mas quando cheguei lá, era apenas mais do mesmo — casas idênticas e luzes fracas.

— Isso só pode ser uma brincadeira! — bradei, irritado. — Onde estou, afinal?

Continuei andando até encontrar uma construção diferente: parecia um restaurante, com uma iluminação amarelada. No centro, vi uma mulher sentada, comendo uma refeição exótica. Respirei aliviado. Finalmente alguém poderia me ajudar!

Abri a porta de vidro, mas, assim que a toquei, um clarão me envolveu. Um segundo depois, estava dentro do restaurante, de pé, à frente da mulher.

— Que diabos foi isso? — pensei.

Ela me olhou de cima a baixo, como se analisasse cada detalhe do meu ser. Senti-me desconfortável e decidi falar primeiro.

— Com licença... Você pode me ajudar? Estou perdido.

Ela sorriu, como se achasse graça na minha situação.

— Você é de onde, garoto?

— De Minas Gerais — respondi, hesitante. — Não sei como vim parar aqui.

— Minas Gerais? Nunca ouvi falar desse lugar — disse ela, pensativa. — Vou chamar meu esposo. Ele pode saber onde fica. Enquanto espera, quer comer algo?

Ela me ofereceu um prato e um copo com um líquido vermelho brilhante. Sentei-me em uma mesa próxima à dela e, mesmo sem fome, comecei a comer. O gosto era confuso, uma mistura de doce e salgado ao mesmo tempo, mas estranhamente bom.

Enquanto comia, ela começou a me dar dicas.

— Não fale com estranhos — ela disse. — Aqui, nunca deixe que percebam que você não pertence a este lugar. E, acima de tudo, nunca se ofereça para sentar-se à mesa de outra pessoa. Isso é para casais, e você não quer parecer um intruso, certo?

Aquelas palavras pareciam importantes, mas algo em mim dizia que havia mais coisa errada com aquele lugar. Fiquei alerta, mas antes que pudesse perguntar algo, o ambiente ao meu redor começou a mudar.

***

De repente, tudo ao meu redor se dissolveu, e me vi em outro lugar completamente diferente. O chão prateado refletia minha figura enquanto pilares de vidro subiam ao redor. Sentia uma pressão crescente em meus ouvidos, como se o ar ao meu redor estivesse se comprimindo. O céu acima era um turbilhão de cores — laranja, roxo, verde. Nenhuma delas parecia pertencer à Terra.

Comecei a andar, mas não fazia ideia de para onde estava indo. Apenas sentia que precisava continuar em frente. O ambiente parecia vivo, se movendo, mudando de forma à medida que eu avançava.

Foi quando ouvi passos atrás de mim. Virei-me e, por um segundo, pensei ver uma sombra se movendo entre os pilares. O som dos passos aumentou, e logo percebi que estava sendo seguido. Não por uma pessoa, mas por algo — uma criatura grotesca, que parecia não ter forma definida. Ela se movia rapidamente, seus olhos brilhavam com um vermelho intenso, e sua respiração era pesada e ofegante.

Comecei a correr, meu coração batendo descontrolado. A criatura se aproximava cada vez mais, o som de suas patas batendo no chão metálico ecoava por todos os lados. Eu corria, sem saber para onde, até que fui encurralado em um beco sem saída. Não havia mais para onde escapar.

Então, algo estranho aconteceu. Uma espada apareceu em minha mão. Eu não sabia de onde tinha vindo ou como havia parado ali, mas parecia a única chance que tinha de sobreviver.

A criatura rosnou, avançando sobre mim. Fechei os olhos e, sem pensar, golpeei com toda a minha força. A lâmina atravessou o corpo disforme da criatura, que soltou um grito agudo antes de cair no chão, se desfazendo em fumaça.

Respirei aliviado por um momento, mas então senti uma dor aguda em meu braço. Olhei para baixo e vi um corte profundo, o sangue escorrendo por minha pele. A dor era real, tão intensa que eu caí de joelhos.

***

Acordei de repente, deitado na minha cama, ofegante e suando frio. Minha respiração estava acelerada, meu coração disparado. Levei a mão ao braço, e o corte estava lá, exatamente onde a criatura me feriu.

— Isso não pode ser real... — murmurei, assustado.

Mas era. A ferida era real. E eu sabia que o Reino dos Sonhos não era apenas um sonho comum. De alguma forma, eu realmente havia estado lá. E, de alguma forma, tudo o que acontecia lá podia se manifestar aqui, no mundo desperto.

E foi assim que eu descobri que o Reino dos Sonhos era muito mais do que apenas sonhos. Era um lugar onde as regras da física e da lógica não se aplicavam, onde a minha mente podia criar e destruir. E, o mais assustador, um lugar onde ferimentos eram tão reais quanto aqueles que eu enfrentava na vida desperta.

Naquela noite, minha vida mudou para sempre. Sabia que, a partir daquele momento, nada mais seria o mesmo. Cada vez que fechasse os olhos para dormir, voltaria àquele mundo sem regras, onde a liberdade era tão infinita quanto os perigos. E cada vez que acordasse, nunca mais teria certeza se o que tinha vivido era real ou apenas um reflexo distorcido da minha própria mente.

Mas uma coisa era certa: eu não estava mais seguro nem mesmo dentro dos meus próprios sonhos.

User: JonFerratt

Primeiro Desafio de EscritaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora