Emily Dandara

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Olhos Verdes

A única coisa que passava pela sua cabeça era: "Por que fui tão ingênua?"

Dias antes...

Era um dia ensolarado na cidade de São Paulo. Helô passeava pelas ruas do centro da cidade. Ela começou a trabalhar por volta das 10h em uma rádio localizada na Avenida Paulista. Heloísa chamava bastante atenção por onde passava. Tinha olhos castanhos, cabelos pretos curtos e uma beleza deslumbrante. Apesar de atrair olhares, seu coração estava partido há um mês.

"Meu relacionamento de anos acabou porque ele não queria dar um passo à frente. Tenho cara de alguém que quer namorar para sempre?" perguntou Helô para sua amiga enquanto colocava uma cápsula de café na máquina.

"Helô, você tem que superar isso. Já foi, é passado. Saia para se divertir. Você é jovem, bonita, tem apenas 27 anos e é bem-sucedida. Sua vida amorosa pode não estar boa, mas o resto está indo bem", disse Carol, sua amiga e colega de trabalho há anos.

Carol era uma mulher de beleza marcante, com cabelos loiros e olhos verdes que brilhavam com vivacidade. Ela sempre tinha um sorriso no rosto e uma palavra de apoio para Helô.

"Qual é a solução para isso? Não conheço ninguém, não tenho amigos além de você, Carol. Me afastei de todos nesses últimos anos em que estava com Renato", desabafou Helô.

"Baixe o Tinder. É fácil, rápido, tem pessoas reais e verificadas. Não tem como dar errado", sugeriu Carol, pegando o celular da amiga e baixando o aplicativo.

Após o expediente, Helô chegou em casa. Tomou um banho demorado e olhou ao redor do seu apartamento. Lembrou-se do dia em que escolheu o apartamento com seu ex, do dia em que pintaram as paredes e do dia em que o pressionou para dar um passo à frente. Ele não queria casamento...

Sentada no sofá, após se acalmar dos choros recorrentes desde o término, ela abriu seu notebook. Usava-o em conjunto com seu ex-parceiro. Na aba do Google, abriu a conta dele.

"E se eu pesquisar onde ele está agora?" pensou Helô.

Ela entrou no Maps logado no notebook dele e viu que seu ex estava em um motel na Avenida dos Estados.

"Safado", pensou ela. "Não tem nem dois meses e ele já me superou assim. Eu não acredito."

Helô fechou o notebook com raiva. Precisava sair para beber. Pediu um Uber para a Vila Madalena.

"Aspicuelta", pensou.

Sentada na mesa do bar, após tomar várias doses de um coquetel duvidoso, ela abriu seu celular e um app brilhou para ela: Tinder. Passando os dedos, Helô viu um rapaz muito bonito.

Luan Cavalcante, engenheiro de computação pela USP, pós-graduado em artes na UFBC. "Arte da vida é viver". "27 anos de muito amor".

Seu celular logo mostrou um super match.

No dia seguinte...

Helô acordou em um lugar totalmente desconhecido. As luzes refletiam em seus olhos. Ela estava vestindo um pijama de unicórnio. Andando pela casa, via pinturas e retratos de pessoas que nunca tinha visto, mas um chamou sua atenção.

"Tô tão bonito quanto na foto?" perguntou um homem loiro, alto, com olhos verdes.

"Desculpa, mas quem é você?" perguntou Helô, preocupada e tentando entender o que aconteceu nas últimas horas e como foi parar na casa de um estranho.

"Fica calma. A gente deu match ontem no Tinder. Você parecia não estar muito bem. Me passou seu número e fiz uma ligação para você. Você me chamou lá no bar. Para não ir sozinho, chamei minha irmã Bianca para ir comigo. Você parecia um pouco alterada, queria ir a um motel na Avenida dos Estados para quebrar a cara de alguém. Fiquei com medo de você causar problemas ou acontecer algo com você, então eu e minha irmã te trouxemos para casa. Você desmaiou", explicou Luan. Uma moça muito bonita apareceu.

Primeiro Desafio de EscritaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora