Vizinhos
Apressou-se, a porta estava logo ali, tão perto e distante ao mesmo tempo, seus passos pareciam puxa-lo para trás, que agonia estava sentindo, ao chegar perto da maçaneta a girou rapidamente e adentrou a pequena casa.
Não fazia muito tempo que havia se mudado para aquela cidade e novamente o vizinho ao lado parecia lhe incomodar.
— Nos mudamos a um mês, Mariane. E aquela sensação de estarmos sendo perseguidos me incomoda como uma saudade antiga, o que vamos fazer?
A mulher não parecia surpresa ou incomodada com os sentimentos do marido, desde a mudança para a nova cidade, Icaro não dormia bem, acordava em meio a pesadelos, certamente ele estava doente, essa mania de achar que todos queriam pega-lo a cada passo que dava já estava se tornando normal, ir ao supermercado era como se tivessem lhe torturando com a pior das torturas.
— Ele esconde algo! Andava de um lado para o outro.
— Você acredita que todos os nossos vizinhos escondem algo! E o que você esconde, Icaro?
— Eu!? — perguntou incrédulo, ela fez mesmo essa pergunta?
— Sim, você, está sempre de cisma com as pessoas, parece esconder algo.
— Está jogando suspeitas para mim? Ele é esquisito, Mariane, vejo em seus olhos, ele nos odeia.
— Mas ele não nos conhece, já pedi e peço novamente, pare de paranoias. — disse antes de deixar seu marido sozinho. — Vou me deitar, deveria fazer o mesmo, Icaro.
Um ano antes.
— Entendeu como vai ser, se tiver dúvidas a hora pra perguntas é agora? — Queria ter certeza se poderia prosseguir com o seu plano.
A jovem olhou para o homem a sua frente e com confiança deu a resposta que o chefe queria. Ela tinha um plano para alcançar seus objetivos e crescer na carreira de seus sonhos.
— Sim, eu entendi, o senhor tem certeza que ele não vai notar? Não podemos assusta-lo, ou ele poderá fugir como já vem fazendo.
— Ele tinha parado suas atividades criminosas, um lobo que se esconde nas sombras, ele parece inocente e medroso, mas não se engane, não se engane com a sua simpatia, sua bondade disfarçada, nunca durma de verdade ao lado dele, detetive Wilson, guarde minhas palavras...
"Quem vê cara, não vê coração"
As palavras do seu chefe ecoavam por sua mente, Wilson não dormia direito a um ano, sempre alerta as atitudes de seu marido , a investigação sobre os dez assassinatos em Los Angeles tinha tomado rumos diferentes, levando a detetive da unidade de inteligência a se infiltrar na vida de um assassino frio e cruel. A missão exigia um pouco mais do que apenas a experiência de Wilson como detetive.
— Icaro Constantin, nasceu em Seattle, para todos um homem bondoso, que com sua caridade cuidava dos menos afortunados, não se enganem, ele é o nosso serial killer. — Eis aqui, o papel de cada um nessa investigação. — Relatava o passo a passo para a sua equipe, nada poderia dar errado. — Detetive Wilson, ele gosta do seu tipo, morena, cabelos compridos, olhos castanhos escuros, ao seus olhos uma jovem indefesa , as vítimas de Constantin são assustadoramente iguais a você, por isso tome cuidado, tente seduzi-lo, e fique próxima o suficiente, faça ele adorar você, ao ponto de não querer machuca-la, precisamos de provas para o promotor aceitar o nosso caso, os demais junto comigo, iremos ficar por perto, bem perto, não quero perder a detetive Wilson, separem-se em casais e sejam vizinhos dele, mudem sempre que ele mudar, mantenham distância e sejam naturais, e Wilson, se perceber que está perdendo o controle da situação aborte a missão, não estou pedindo, é uma ordem.
