Wanessa Freitas

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A verdadeira face do mal

Em 1908, nasceu uma menina tão brilhante quanto a lua daquela noite, com os olhos lacrimejando, sua amorosa mãe a lhe deu o nome de Luna enquanto depositava ali, naquela pequena criaturinha, todo o amor do mundo.

Luna cresceu sendo a criatura mais doce e angelical que todos haviam visto, não havia um ser humano sequer que não a amasse assim que ela mostrava seu lindo sorriso cheio de ternura. Sua simplicidade e jeito de ser encantavam a todos, não havia ninguém como Luna.

Aos vinte anos, Luna se casou com um rapaz que todos conheciam como a personificação do bom rapaz do vilarejo, um garoto amável com os pais e extremamente trabalhador chamado Evil.

Evil teve uma infância difícil, filho de um assassino psicopata, ele viu várias mortes horríveis acontecerem na sua frente. Após a morte de seu pai biológico, o garoto foi adotado por um casal bondoso que lhe ensinou o verdadeiro significado do amor.

O casamento de Evil e Luna foi lindo, simples, mais cheio de amor e carinho da família e dos amigos do vilarejo. Em pouco tempo esse lindo amor deu frutos, o casal teve a pequena Sun, em homenagem ao lindo dia ensolarado na qual veio ao mundo. A criança era amada por todos assim como sua mãe e respeitada assim como seu pai.

Quando Sun fez cinco anos de idade, uma grande fatalidade aconteceu, Sun foi encontrada morta no rio próximo ao vilarejo. Todos estavam arrasados, mas o que foi mais chocante é que Sun não morreu em um acidente ou em uma morte que todos pudessem se sentir menos arrasados por ter sido "rápido".

O corpo de Sun foi encontrado com várias marcas de agressão, a garota foi assassinada brutalmente por uma pessoa que parecia estar com o puro ódio.

Em meio ao panico do vilarejo após a morte da garota, todos procuravam um culpado, a sede de justiça atingiu a todos. Todos os homens se juntaram para tentar resolver o caso, mas o culpado poderia estar entre eles, portanto essa aliança não durou muito, pois todos desconfiavam uns dos outros.

Até que então, após dez dias da morte de Sun, em uma madrugada, os gritos de Luna eram ouvidos por todo o vilarejo.

Todos os homens saíram procurando pelo barulho achando que o suposto assassino estava agindo novamente. Chegando na casa do casal, Luna estava atirada no chão com o rosto cheio de marcas e cortes, a mulher que antes tinha a feição mais amorosa e feliz da vila, agora chorava em desespero.

- Foi ele! Ele matou nossa filha! - Luna apontava para o marido enquanto chorava desesperada.

Uma onda de ódio se instalou em todos os moradores, mesmo que Evil gritasse dizendo que era inocente, a sede de vingança não os deixava ouvir as explicações do homem. O rosto danificado de Luna era prova mais do que suficiente que o homem era exatamente o que seu próprio nome dizia, o mal.

- VOCÊ IRÁ PERECER COM O MAL QUE VEM JUNTO COM SEU SANGUE! FILHO DO MAL!

Até seus pais choravam ao ver o filho que tanto deram amor, mesmo assim acabar sendo igual ao seu sangue herdado de um psicopata assassino. Evil foi amarrado a uma árvore e apedrejado por todos do vilarejo até a morte, só assim a raiva de todos pôde ser então cessada.

Luna em vez de olhar o mundo com olhos de raiva, ela decidiu oferecer mais de sua aparente bondade, ela se tornou freira e ajudava na igreja do vilarejo. Todos a viam como santa, pois não tinham como explicar tamanha bondade em seu coração mesmo depois de toda maldade a si cometida.

Após anos e anos, Luna foi vista como a figura da mais pura bondade e beleza, o vilarejo levou seu nome até o fim de sua existência.

Uma cidade foi construída ali com o passar dos anos, a rua central ainda carrega seu nome. Muitos vão até a rua Luna dar uma salva de palmas para a linda mulher de coração puro que nem mesmo a pior das maldades conseguiu corromper.

O que ninguém nunca soube é que naquele fatídico dia em que Sun se foi, o que ocorreu de verdade não era nada que todos acreditaram que foi.

Naquele dia mais cedo, Sun brincava com suas bonecas quando acidentalmente viu sua doce e amada mãe quebrando o pescoço de uma galinha enquanto tinha um sorriso doce nos lábios como se os grunhidos de dor do animal fossem música para seus ouvidos. Sun chorou com o que viu, fazendo Luna lhe olhar e pensar como seria os grunhidos de um ser humano.

Luna acreditava que tinha deixado de ser a mais amada, a mais bela desde que a filha nasceu. Em sua cabeça apenas uma poderia ser amada e ela odiava ser a sua própria filha a tomar o seu lugar. A doce e angelical Luna assassinou a filha com múltiplas agressões a sangue-frio.

Evil começou a desconfiar da esposa quando achou uma roupa da mesma completamente cheia de sangue escondida nos fundos da casa do casal, ao ser questionada ela disse que era sangue de animal, mas Evil não acreditou.

Naquele dia Luna perguntou ao marido quem ele amava mais, ela ou Sun, Evil respondeu que amava as duas, mas Sun sempre seria seu anjo. Com ódio do marido, Luna começou a se estapear e a gritar enquanto o homem sem entender tentava acudir sua esposa, foi quando os homens do vilarejo chegaram.

- Foi ele! Ele matou nossa filha! - Luna apontava para o marido.

Evil ainda tentou alerta-los do monstro que Luna era, mas ninguém lhe deu ouvidos. O homem foi assassinado da maneira mais horrenda possível enquanto a verdadeira culpada foi quase santificada.

Ha pessoas que moram no bairro Luna que ainda hoje afirmam ouvir gritos de desespero de um homem durante todas as madrugadas, eu não desacredito meus caros leitores, talvez tais gritos pertençam a Evil tentando contar a verdade da sua morte injusta e a verdade sobre a morte da filha a qual levou a culpa na cidade que um dia fora o vilarejo Luna.

Nem tudo que parece de fato aquilo é, talvez o que parece ser o errado seja bem melhor do que a face que transborda beleza, graciosidade e inocência.

User: WanessaMinsung28

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