Pamela Sampaio

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Borboleta

Meu relacionamento sempre foi invejável.

Meu namorado Arthur sempre foi um cavalheiro.

O famoso príncipe em um cavalo branco.

Pelo menos era oque ele queria demonstrar para as pessoas a fora.

Ninguém sabe o inferno que é estar nesse "relacionamento".

Isso se realmente pode ser chamado disso.

Eu odeio tanto o Arthur.

Passo maus bocados com ele, é sempre humilhante me olhar no espelho e ver meu corpo coberto por hematomas e cortes.

Parece que ele se diverte ao me ver coberta por machucados, e fica mais feliz ainda ao saber que foram feitos por ele.

"Seu corpo está marcado,ele me pertence e eu faço oque eu quiser com ele, e você não pode fazer nada pra mudar isso agnes, você é minha."

Era isso que ele me falou quando me bateu tanto que parei no hospital.

Seu sorriso encantador convenceu os médicos que foi uma briga de rua.

E como sempre todos acreditaram nele.

"Você não pode fugir, não tem como fugir."

Foi isso que ele disse.

"Você é como uma borboleta machucada em minhas mãos, eu posso esmaga-la sem precisar caça-lá."

Eu tentei pedir ajuda, mais quem acreditaria em mim?!

Eu não sou ninguém perto de Arthur Wester, o grande pediatra, ele é o maior e mais carinhoso pediatra da cidade.

Todos o amam.

Eu também o amava.

Até descobrir quem ele é de verdade.

Arthur antes me trazia flores, me falava coisas carinhosas e gentis.

"agnes, minha doce borboleta."

Borboleta sempre foi algo que amei.

São várias cores e podem voar daonde quer que estejam, e fugir dos seus problemas se for aquilo que desejarem.

Agora eu queria ser uma borboleta, e voar o mais longe possível de Arthur.

"Corra pequena Stella, corra do seu caçador."

Aquele psicopata!

Eu me odeio tanto por ter me deixado levar pelo seu carisma, pelo seu jeito doce.

Aquele Arthur concerteza não é esse monstro que dorme ao meu lado.

Não é esse monstro que me tortura psicologicamente.

Eu o odeio tanto Arthur, eu odeio meu caçador...

"Querida, estou em casa."

Ele disse isso ontem quando chegou do serviço, seu tom doce me dando náuseas ao saber que não passa de uma grande farsa.

E eu sabia oque viria a seguir.

E eu estava certa...

"Borboleta, você me ama certo?!"

Ele pergunta e eu sinto vontade de chorar, por que nao importa se eu respondesse:

"Sim querido, eu te amo."

Em sua cabeça ele sempre irá levar como um:

"Eu sempre vou te odiar."

Ele sempre vai levar como um insulto qualquer coisa que eu diga, não importa se eu fale no tom mais doce que posso.

Primeiro Desafio de EscritaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora