"Não acredito que a maior atacante da Tailândia está apaixonada." A voz brincalhona de Aoom não distraiu Engfa de sua tarefa atual.
"Não gosto desse termo, Aoom." Ela falou calmamente, sua atenção totalmente voltada para o computador.
Aoom riu. "Eu sei. As palavras Engfa e apaixonada simplesmente não foram feitas para estar na mesma frase, huh?"
"Estou falando desse apelido que você insiste em falar." Engfa desviou o olhar da tela e encarou Aoom. Sua amiga estava sentada confortavelmente (mais para deitada) no sofá de couro falso do escritório de Engfa, os olhos fixos no jogo de kart na grande televisão de plasma.
Bom, Engfa não considerava muito como seu escritório. Era uma sala antes vazia na agência de Aoom. A mulher mais velha estava bem em compartilhar a sala dos fotógrafos com os outros profissionais, mas Aoom insistiu que Engfa deveria ter seu próprio escritório como a segunda maior acionista da empresa. Então a mulher havia preparado uma sala especial para Engfa, com uma grande mesa de mogno lustroso, uma cadeira acolchoada que Engfa achava mais confortável que sua cama, prateleiras e armários de cedro para guardar todos os seus equipamentos e portfólios, frigobar, televisão, video game e o sofá na qual ela estava deitada.
Quando Engfa viu a sala pronta, seu nome em uma placa dourada e chamativa pendurada na porta, ela não conseguiu evitar gargalhar. Aquela sala definitivamente não havia sido feita para ela. Aoom havia feito a sala para si própria e usou Engfa como uma desculpa.
Engfa não estava errada. Aoom só usava o próprio escritório, aquele que a decoração gritava profissionalismo, quando tinha reuniões. Fora iso, era ali que a mulher se refugiava, no escritório de Engfa.
Aoom descartou o controle de videogame, e na televisão, seu carro bateu em um obstáculo. Ela ajustou o corpo, confusão evidente em seu rosto. "O quê?"
Engfa suspirou, levemente impaciente por ter que voltar naquele assunto.
"Você sabe que eu não gosto quando me chama assim." Ela realmente detestava o apelido. Aoom havia inventado quando elas estavam na faculdade e ainda o utilizava, embora Engfa pedisse constantemente para a mulher parar. Aoom insistia, alegando que combinava perfeitamente com Engfa e seus casos de uma noite.
Engfa tinha um certo histórico. Embora fosse extremamente reservada e preferisse a calmaria, era sempre arrastada para clubes e festas por Aoom, e costumeiramente finalizava a noite com uma mulher em seus braços. Para ela não era nada além de algo físico, motivado pelo clima de flerte que aqueles tipos de ambientes proporcionavam. Ela nunca voltava a falar uma segunda vez com as mulheres que se relacionava, porém. Não era por maldade, ela só não tinha nenhum interesse maior em nenhuma delas.
"Engfa Waraha." Aoom levantou do sofá e caminhou até onde Engfa estava, se inclinando e nivelando seus olhos. "Você está apaixonada por Charlotte?"
O coração de Engfa acelerou com a menção do nome, e ela sentiu suas bochechas esquentarem, a pergunta ecoando em seus ouvidos.
Aoom olhou de relance para a tela do computador, seus olhos arregalando. Ela estendeu a mão e virou a tela para poder ver melhor, sua expressão de espanto. Ali, no computador, haviam centenas de fotos e vídeos de Charlotte, Malee e Engfa, todas do dia anterior, no parque de diversões.
Engfa estava transferindo as fotos para diferentes plataformas de armazenamento em nuvem. Ela não iria exclui-las do seu celular, de jeito nenhum, seu ato era apenas uma precaução, apreensiva só com o pensamento de perder as imagens. Celulares poderiam cair e quebrar, poderiam parar de funcionar subitamente, e ela não iria perder aquelas memórias preciosas.
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Saving us
FanfictionCharlotte é mãe de Malee e vive em um relacionamento abusivo de onde não consegue sair. Engfa cresceu em um lar que não lhe deixou nada além de cicatrizes. O destino das duas está entrelaçado.
