Próximas vidas

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"É lindo!" Malee exclamou, olhando ao redor com fascinação.

Era mesmo.

Wat Arun - o Templo do Amanhecer -, se erguia imponente diante delas, pequenas peças de porcelana chinesa e vidro formando mosaicos que brilhavam ao toque da luz do Sol. Sua torre maior com mais de oitenta metros de altura e as quatro torres representando os quatro pontos cardeais e suas estátuas gigantes pareciam majestosos.

Mas elas não tiveram muito tempo para admirar, no entanto. Charlotte voltou a andar depressa com Malee no colo, sendo conduzida para dentro do templo principal por uma Engfa que parecia quase apressada, a mulher virando para elas para ajeitar o lenço.

"Tire os sapatos, Char." Ela lembrou, já retirando os seus e descalçando Malee.

Na parte de dentro, o lugar parecia ainda mais solene, mais sagrado. O cheiro de incensos e velas preenchia o ar, e havia murmúrios baixos misturado com sons de sino, pessoas fazendo seus méritos por todo o ambiente.

Charlotte colocou Malee no chão quando Engfa estendeu incenso para cada uma delas, ficando com o último para si.

"Façam um pedido." Ela falou baixo, e com um olhar que parecia que queria dizer algo mas estava se contendo, ela passou o indicador pelo rosto de Charlotte delicadamente, traçando todo o contorno, se inclinou e fez o mesmo no rosto de Malee.

A mulher então se ajoelhou diante do altar, se curvando para a frente e tocando a testa no chão. Charlotte sabia que Engfa estava murmurando algo, mas ela não conseguiu entender porque a mais velha falava baixo demais. Malee, ao seu lado, imitou os gestos de Engfa com seriedade.

Charlotte não fez o mesmo, não imediatamente. Ela olhou para Engfa e Malee, lado a lado, o incenso entre os dedos. De perfil, Engfa parecia sussurrar com concentração, completamente entregue aquele momento. Era interessante, porque a mulher não falava de crenças; era bonito, como ela parecia devota.

Charlotte desviou o olhar para o seu próprio incenso. Ela não costumava frequentar templos, sua mãe não ligava muito, mas ela tinha lembranças de ir à igrejas. Seu pai a levava todas as vezes que ia para a Tailândia, e quando Charlotte morou com ele durante aquele curto período de tempo na Inglaterra, ela frequentava as missas. Muito das memórias de sua infância haviam sumido, mas ela lembrava de percorrer os jardins da grande construção com seus irmãos ao seu lado, lembrava dos vitrais coloridos e lembrava das palavras do seu pai, a dizendo para agradecer.

A mulher olhou ao redor, para Aoom e Meena fazendo o mesmo que Engfa, seus corpos curvados em direção ao altar. Então com mais uma olhada em Engfa, Charlotte se ajoelhou e curvou seu corpo, fazendo seu mérito. Ela fechou os olhos, e com todo seu coração, fez um pedido.

'Quero que o pedido de Engfa se realize.'

Ela então ajustou o corpo e cravou o incenso no altar, ajudou Malee a fazer o mesmo e viu que Engfa fincou o terceiro incenso colado aos outros dois. Engfa sorriu para Charlotte, um sorriso grande e feliz e de certa forma aliviado, pegou Malee no colo e segurou a mão de Charlotte, saindo do templo.

Ali, olhando para Engfa e para Malee em seu colo, Charlotte teve um pensamento que aqueceu seu coração.

Nada parecia mais divino que sua família.


Apenas o abajur iluminava o quarto cor de rosa. Deitada na cama infantil com Malee em seus braços, Charlotte cantava uma canção de ninar que Engfa havia a ensinado. Sua filha gostava de ser colocada para dormir assim, ouvindo canções ou alguma história, e embora Charlotte soubesse que Malee preferia quando Engfa fazia aquilo, às vezes a garota pedia especificamente por ela.

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