Charlotte chorou pelo que pareceram horas, se agarrando à Engfa com força.
Engfa chorou também, porque ver Charlotte daquele jeito sem poder fazer nada a machucava profundamente. Mas ela tentou não se desesperar, tentou manter a cabeça no lugar, isso tudo para acalmar Charlotte. Engfa continuou sussurrando no ouvido de Charlotte, dizendo que ela estava segura e que não seria machucada, dizendo que Malee estava segura, que tudo estava bem, repetindo incessantemente as palavras, porque queria que Charlotte tomasse aquelas afirmações como verdade, queria que ela acreditasse. Ela continuou beijando seus cabelos, a segurando forte em seus braços, acariciando suas costas, até que Charlotte, exausta, acabou adormecendo, seu rosto banhado em lágrimas.
A mulher mais velha limpou seu rosto e a segurou em seus braços por mais alguns instantes, então a pegou com delicadeza e a levou para a cama, repousando seu corpo ao lado de Malee e cobrindo a mulher. Engfa as observou por um tempo, pensando nas palavras de Charlotte, lembrando da sua expressão apavorada, da forma como suas palavras saíram trêmulas. Quão cruel Heidi havia sido? Há quanto tempo Charlotte sofria nas mãos dela? Sem qualquer auxílio ou suporte, mesmo quando tentou procurar ajuda da polícia.
Engfa soltou uma respiração trêmula, sentindo sua cabeça doer com as imagens que estavam aparecendo involuntariamente. Ela fechou os olhos, apertando a própria cabeça, querendo se livrar daquelas imagens. Porque Charlotte falar sobre o sofrimento que passou a estava deixando consternada, suas lembranças antigas também vindo à tona, fazendo ela sentir dificuldade de respirar. Ela abriu os olhos, focando em Charlotte, em como mesmo adormecida, o rosto da mulher parecia ansioso.
Charlotte era tão linda, tão preciosa, tão pura, como alguém poderia sequer ter um pensamento ruim sobre ela? Como poderia se atrever a colocar as mãos nela? Como poderia a machucar ao ponto dela ficar tão mal?
Engfa se inclinou, deixando um beijo na testa de Charlotte, e então na de Malee, inalando seus cheiros, sentindo o calor de seus corpos. "Vocês estão seguras, ninguém mais vai as machucar." E por mais que nenhuma das duas estivessem ouvindo, não fazia diferença, porque aquela era uma promessa que Engfa cumpriria. Ela desviou o olhar, ligando o pequeno abajur na mesa de cabeceira, indo até o interruptor e apagando as luzes do quarto, mergulhando o ambiente na semi-escuridão, quebrada apenas pela débil luz amarela da luminária. Ela as observou por mais um ou dois minutos, até sair do quarto e fechar a porta.
No sofá da sala, Engfa tirou o celular de Charlotte do bolso. A tela de bloqueio era uma foto de Malee, seu sorriso inocente. Engfa passou o dedo na tela em um movimento ascendente e a tela principal abriu, nenhuma senha exigida. Engfa foi para a aba de telefonemas, vendo a quantidade exorbitante de ligações perdidas de Heidi durante os dias que Charlotte e Malee estavam ali em seu apartamento, na aba contatos, Engfa não se surpreendeu ao ver que só haviam dois, o de Heidi e um identificado como Escola da Malee. Respirando fundo, tentando preparar a si mesma, Engfa foi até o aplicativo de mensagens. O que ela encontrou ali a fez apertar o aparelho com tanta força que seus dedos ficaram brancos.
"Atenda o celular, Charlotte. Eu não estou brincando."
"Por que não está me atendendo, sua vagabunda?"
"Eu juro para você que quando chegar aí, você vai se arrepender, sua maldita."
Engfa passou o dedo sobre a tela, subindo as mensagens e indo para algumas mais antigas.
"Malee foi parar no hospital porque você é uma péssima mãe que não sabe cuidar da própria filha."
"Você não tem vergonha de ser uma mãe tão ruim? Sua filha quase morreu porque você foi incompetente."
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Saving us
FanfictionCharlotte é mãe de Malee e vive em um relacionamento abusivo de onde não consegue sair. Engfa cresceu em um lar que não lhe deixou nada além de cicatrizes. O destino das duas está entrelaçado.
