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Gastroenterite. Foi o que o médico disse, depois que elas chegaram ao hospital e foram atendidas com prioridade. Tudo se resolveria com os medicamentos para os sintomas, bastante hidratação e repouso.

Charlotte quase chorou de alívio.

Engfa permaneceu com ela o tempo inteiro, fazendo perguntas para o médico que as atendeu, querendo saber as causas e como evitar que aquilo acontecesse novamente. Com amor no coração, Charlotte observou como Engfa franzia o cenho conforme suas perguntas eram respondidas, acenando em concordância, parecendo muito empenhada em saber sobre tudo para que pudesse cuidar de Malee da melhor maneira possível.

Quando precisaram furar o braço de Malee para que uma hidratação intravenosa fosse feita apenas por precaução, foi o colo de Engfa que a menina pediu entre lágrimas, e depois que a menina dormiu após a administração de remédios para enjoo e dor, Engfa ainda a segurando e embalando, Charlotte saiu do quarto para comprar sapatos para Engfa, que protestou e disse que não havia necessidade pois já iriam voltar para casa.

Mas Charlotte não poderia deixar que Engfa continuasse a andar pelo hospital descalça ou sem roupas adequadas.

Ela foi rapidamente até uma loja 7/11 e conseguiu sapatos que pareciam minimamente confortáveis, calças e um casaco. Então voltou e entregou tudo para Engfa, pedindo que a mulher colocasse a roupa porque estava frio. Engfa agradeceu a mulher com um beijo, e Charlotte lembrou de meses atrás, quando foi Engfa quem lhe comprou sapatos e um casaco após esperar durante horas por ela e Malee.

Depois que o médico liberou Malee e todos os remédios foram comprados, elas voltaram para casa, as três tomando um banho juntas, Charlotte segurando uma Malee quase totalmente adormecida por conta do cansaço e efeito dos remédios enquanto Engfa lavava o corpo e os cabelos da criança.

Agora, as três estavam ali, na cama, e tudo estava bem. Malee repousava entre elas, dormindo pacificamente, sua respiração estável, seu rostinho perfeito sem qualquer expressão de dor. Charlotte acariciava os fios escuros de seu cabelo ainda levemente molhado, sentindo-se calma.

Engfa estava sentada na cama, encostada na cabeceira, seus olhos atentos e ternos em Malee, vigiando seu sono.

"Sinto muito por antes, P'Fa." Charlotte falou baixo, ainda se sentindo culpada. "E obrigada por ficar."

Engfa tirou os olhos de Malee e focou em Charlotte. Agora, seus olhos estavam mais claros, não mais aquele tom profundo de castanho que eram quase pretos. "Não precisa mais pedir desculpas, Char. Eu já te perdoei. E sobre ficar, para onde mais eu poderia ir? Vocês são a minha vida, não posso ficar longe de vocês."

O coração de Charlotte vibrou e se alegrou dentro do peito, e o peso da culpa diminuiu com aquelas palavras, mas não desapareceu.

"Mas eu sinto muito mesmo. Tudo que eu disse, foi motivado por insegurança, ciúmes e medo. E não vai mais acontecer, prometo." Charlotte mordeu o lábio inferior por um instante, pensando em como Engfa deixou claro que não queria ouvir mais sobre Tor ou Heidi.

"E sobre as outras pessoas que passaram pela minha vida" Charlotte continuou, escolhendo as palavras com cuidado, porque precisava ter certeza de que Engfa entendia a extensão e a profundidade de seus sentimentos por ela. "Foram apenas isso, pessoas que passaram. Tudo o que eu achava que era amor antes, não é nada comparado ao que sinto por você. P'Fa me ensinou o que é amor de verdade. Sinto muito por ter te machucado."

Engfa sorriu, e apesar de ser um sorriso cansado, parecia verdadeiro. "Tudo bem, Teerak. Eu nunca conseguiria ficar magoada com você por muito tempo."

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