Capítulo Especial - Uthai Thani

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Piscando os olhos rapidamente, a pequena garota desviou o olhar do céu, focando no chão de terra, suas sandálias levantando poeira enquanto ela andava. Numa tentativa de secar o suor que escorria, suas mãos foram até o rosto e então ela as passou na blusa, mas quase nada adiantou. Novas gotículas brotaram no que pareceu segundos e sua blusa apenas ficou mais suja.

Ali, naquela província nova que ela ainda não tinha decorado o nome pois havia acabado de se mudar, o Sol sempre estava forte e quase nunca havia nuvens para o cobrir.

"Sun." A garota sussurrou para si mesma, então recolhendo um graveto pequeno que estava caído ali perto, se agachou e escreveu a palavra no chão, o graveto afundando na terra, sua caligrafia torta e desajeitada.

Ela precisava praticar o que seu pai havia a ensinado, mas sua mãe não permitia que ela falasse ou escrevesse em inglês dentro de casa, então a garota apenas escrevia palavras soltas em qualquer lugar que conseguia e falava consigo mesma por horas quando estava sozinha.

Ela estava quase sempre sozinha.

Sua mãe saía antes do Sol nascer e voltava quando o Sol já havia se posto, deixando para trás nada além de ordens para a garota ir para a escola no horário certo e manter a casa limpa. A pequena menina não sabia ver as horas, mas ela sabia qual horário deveria sair de casa porque o relógio da cozinha sempre apitava, alto demais na casa pequena de madeira.

Naquele dia, o relógio apitou como sempre, mas ao invés de sair para ir até o local onde as outras crianças se juntavam e iam caminhando juntas para a escola, a garota apenas permaneceu na cozinha, sentada na cadeira, a mesa vazia à sua frente. Ela não gostava daquelas crianças de qualquer maneira. Durante todo o caminho de ida e depois o de volta, eles a empurravam e riam dela, sempre zombando de como ela não tinha pai.

Mas ela tinha pai. Ele só estava longe agora. Do outro lado do oceano. E ele ia voltar, ia a encontrar, porque ele sempre encontrava, mesmo que sua mãe não quisesse que isso acontecesse.

Ela sentia saudades do seu pai.

Com um suspiro, ela olhou ao redor da cozinha.

Às vezes, sua mãe comprava comida ou cozinhava, às vezes, não fazia nada e mandava a garota comer na escola. A menina apenas acenava e obedecia, comendo até ficar cheia na escola, mas no dia anterior, a escola não tinha dado nenhuma refeição porque havia faltado água, e desde então, ela estava sem comer.  Como não havia nada nos armários e nada além de água na geladeira, ela apenas levantou-se e saiu de casa, indo na direção contrária de onde deveria ir. Talvez, se andasse um pouco, iria esquecer da fome.

Então ela andou até seu lugar secreto.

Escondido entre árvores grandes e uma grama que havia crescido demais até ser maior que a garotinha, cercado por pedaços de madeira que um dia foram uma cerca branca, havia um pequeno parque infantil abandonado.

Com uma gangorra caída de lado, um escorredor com a madeira gasta e um gira-gira que não estava mais preso ao chão, nada ali prestava exceto um único balanço que não estava torto. Era ali que a garota ficava quando não queria ir para a escola ou quando simplesmente sentia-se sozinha demais.

Não que ela não fosse ficar sozinha ali, mas era um sozinha diferente. Ali, no meio daqueles brinquedos quebrados, ela sentava no balanço e ficava lembrando de como o abraço do seu pai era quentinho e de como era bom estar com ele. Ali, ela poderia falar inglês à vontade e ninguém brigaria com ela. Ali, sua mãe não apontaria o dedo em seu rosto, a olharia com raiva e gritaria com ela dizendo que tudo de ruim que aconteceu era sua culpa. Ali, ela poderia chorar sozinha até suas lágrimas secarem naturalmente.

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