— Por que não jantamos agora? — sugeriu Adam, quebrando o silêncio que poeirava sobre a mesa.
— Ele tem razão, vamos jantar. — Abby forçou um sorriso, tentando amenizar o ambiente pesado que pairava sobre nós.
Mas eu não conseguia desviar meus olhos dele. Alex. Nunca pensei que ouviria algo assim dele, como se aquela pessoa que conheci há alguns dias tivesse deixado de existir. Ele não era mais o mesmo, e eu sabia que não podia culpá-lo. Ninguém passaria ileso pelo que aconteceu.
Ele viu a pior versão de mim. E eu vi a pior versão dele.
Mas isso não lhe dava o direito de falar o que bem entendesse sobre mim. Ele podia estar quebrado, assim como eu, mas isso não significava que podia pisotear o que restava de mim. Eu não iria ficar calada. Não dessa vez.
Não vou mentir e dizer que vê-lo sendo rude comigo não doeu, porque doeu. Pra caralho. Cada palavra dele cortava como uma lâmina afiada, e o pior de tudo era saber que isso me afetava mais do que deveria. Nunca pensei que a opinião dele poderia me machucar tanto. Sempre deixei claro — para ele e para mim mesma — que nada do que ele pensava importava.
Mas era tudo mentira.
Ou talvez tenha sido verdade no passado, quando ele ainda não significava nada para mim. Mas agora… agora era diferente.
— O que você pretende dizer com isso? — O olhei com fúria, minha voz firme, mas carregada de algo que nem eu mesma conseguia nomear.
Seus olhos encontraram os meus, e por um instante tudo ao redor desapareceu. A mesa, as vozes, o jantar esquecido. Só restávamos nós dois ali, presos em um silêncio cheio de coisas que nunca tivemos coragem de dizer.
— Eu só estou afirmando o que você disse. Se você diz que sua mãe está bem, então ela está.
O tom dele era seco, quase indiferente, mas eu conhecia o Alex o suficiente para perceber o peso oculto por trás daquelas palavras. Ele estava me testando. Me empurrando para um limite que nem eu sabia que existia.
— Gente, tá tudo bem aqui? — Adam perguntou, me olhando surpreso.
Com um movimento leve e sem pressa, desloquei meu olhar para ele, tentando mascarar o turbilhão de emoções que rodopiavam dentro de mim.
— Tá tudo bem. — Afirmei, minha voz mais firme do que eu realmente me sentia.
Mas não estava tudo bem. Não mesmo.
Eu ainda sentia o peso das palavras de Alex queimando em minha mente, o coração martelando no peito com uma mistura de raiva, dor e algo que eu não queria admitir. O ambiente ao redor parecia distante, abafado, como se estivesse submerso em uma névoa densa.
Foi então que meus olhos encontraram os de Brandon.
Seu olhar era intenso, penetrante, e eu vi claramente o que ele tentava me dizer sem precisar de uma única palavra. Ele me pedia para me acalmar. Para não perder o controle. Para não deixar que Alex me atingisse mais do que já havia feito.
Respirei fundo, deixando o ar encher meus pulmões e, aos poucos, dissipar a tensão que me mantinha presa. O olhar de Brandon era tudo o que eu precisava naquele momento. Ele era meu porto seguro no meio daquela tempestade, a âncora que me impedia de afundar.
E foi isso que fiz. Me segurei naquele olhar. Me agarrei à única coisa que, naquele instante, ainda fazia sentido.
Peguei um copo vazio que estava ao meu lado e o enchi de suco, levando-o à boca e tomando goles rápidos, tentando aliviar a tensão que ainda percorria meu corpo. O líquido gelado desceu rasgando pela minha garganta, mas nem isso foi capaz de dissipar completamente a sensação incômoda que se instalara no meu peito.
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Era Você
RomanceSarah e Julie sempre foram muito próximas, mas com o passar do tempo, isso mudou drasticamente, e a distância entre elas se tornou evidente. Sarah não via sua irmã há anos, até receber a notícia de que Julie iria se casar. Apesar de ser convidada pa...