capítulo 34

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Boa leitura 📚

Tirei meus olhos dele com muita dificuldade, como se cada segundo olhando para aquele rosto me deixasse ainda mais presa em pensamentos que eu não deveria ter. Voltei a olhar para minha mãe, que parecia completamente alheia ao que estava acontecendo ao meu redor, perdida na paisagem tranquila à sua frente. Ela encarava o lago com uma expressão serena, quase hipnotizada pelo reflexo dourado do sol na água. Era como se aquele momento fosse um refúgio silencioso para ela, um respiro necessário depois de tudo o que havíamos passado.

— Vou na cozinha pegar alguma coisa para beber — disse ela de repente, quebrando o silêncio. Sua voz soou calma, mas decidida, enquanto ela se levantava da espreguiçadeira com movimentos lentos e calculados.

— Tá tudo bem, mãe, eu posso pegar para você — ofereci rapidamente, tentando me antecipar.

Ela parou por um instante, me lançando um olhar gentil, mas firme.

— Não precisa, querida. Eu mesma vou pedir para a Lucy preparar algo — insistiu com um pequeno sorriso, como se quisesse me tranquilizar.

— Mãe, volte para sua espreguiçadeira — pedi, colocando as mãos suavemente em seus ombros, como se aquele toque pudesse transmitir todo o cuidado que eu sentia por ela. — Eu prometi que cuidaria de você a partir de agora. E é isso que vou fazer.

Ela me olhou com um misto de surpresa e ternura, seu olhar sereno refletindo a compreensão que só o tempo traz. Não houve resistência, nem palavras desnecessárias. Com um movimento leve e carinhoso, ela segurou minha mão, que ainda estava sobre seus ombros. Seu toque era quente, familiar, cheio de amor.

— Tudo bem, querida. Vou deixar você cuidar de mim — disse, com um sorriso que iluminou seu rosto. Era um sorriso verdadeiro, um daqueles que fazem o coração aquecer. Um sorriso que eu não via há muito tempo.

Ela deu meia-volta e se acomodou novamente na espreguiçadeira, ajeitando a almofada com delicadeza. Fiquei parada por um instante, observando-a. Queria ter certeza de que ela estava confortável, tranquila. Quando me certifiquei de que tudo estava bem, lancei-lhe um último olhar antes de me virar e caminhar em direção à casa.

Ao entrar na cozinha, o ambiente estava vazio e silencioso. Não encontrei Lucy em lugar nenhum, o que me deixou um pouco surpresa. Normalmente, ela estava por perto, pronta para ajudar com qualquer coisa que precisássemos.

Dei de ombros, decidindo que eu mesma faria o suco. Talvez, de alguma forma, aquele simples gesto fosse mais significativo do que pedir para outra pessoa fazer.

Abri a geladeira e fui recebida pelo ar frio que escapou dela. Meus olhos encontraram rapidamente uma jarra de vidro cheia de suco. Com uma das mãos, peguei a jarra, sentindo o peso confortável dela em meus dedos. Fechei a geladeira com um leve empurrão e coloquei a jarra sobre o balcão.

Fui até o armário, abri a porta devagar e peguei um copo de vidro. Ele era simples, mas tinha um certo peso familiar em minhas mãos. Coloquei o copo sobre a bancada com cuidado, como se cada gesto precisasse ser meticulosamente pensado. Em seguida, levei a jarra de suco até o copo e o enchi até a borda. O líquido alaranjado refletia a luz suave que entrava pela janela, criando pequenos reflexos que dançavam pela bancada.

Deixei o copo cheio ali, intocado por alguns segundos, enquanto pegava a jarra novamente com a intenção de devolvê-la à geladeira. Com uma das mãos, abri a porta e ajeitei a jarra no lugar certo, garantindo que nada ficasse fora de ordem. Quando terminei, fechei a porta com um leve empurrão e, ao virar para trás, meu coração parou por um instante.

Aqueles olhos.

Aqueles olhos azuis, profundos e intensos como o oceano em um dia de tempestade, estavam bem ali, cravados em mim.

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