68. Ceder

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Às vezes, o peito carrega mais do que cabe dentro

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Às vezes, o peito carrega mais do que cabe dentro. E o corpo continua em pé, mesmo quando tudo lá dentro já caiu.

Há dores que não têm nome. Só um gosto amargo na boca e um silêncio preso na garganta. São aquelas que vêm da culpa - não por algo feito, mas por tudo que se deixou de fazer. Pelos passos não dados, pelos abraços recusados, pelas palavras que ficaram guardadas até apodrecerem.

E quando o passado volta, não volta limpo. Vem com cheiro de medo, com a lembrança do que foi dito com raiva e do que nunca foi dito por orgulho. Vem com a face de quem foi machucado - e de quem também feriu, mesmo sem querer.

Mas o que assusta mesmo é o momento em que se permite sentir. Quando as defesas caem e a emoção transborda sem pedir licença. Quando as lágrimas escorrem e trazem vergonha junto, como se sentir fosse fraqueza, quando na verdade é só humanidade.

É assim: alguns corações são treinados a se manterem duros demais. Até o dia em que quebram. E é nesse quebrar que, quem sabe, começa a cura.

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Vegas suspira, irritado.

Seus ombros estão tensos, e o ar ao redor dele vibra com uma raiva contida.

Eu ignoro o chamado de Kinn. Meu corpo age sozinho enquanto sigo Vegas.

— Arm, saia. — Ordeno, sem tirar os olhos dele.

As portas do elevador voltam a se fechar. Vegas se vira, cruza os braços, o maxilar travado.

— Você ia me esconder que ele está aqui?

A acusação vem seca, direto no peito.

— O quê? Não, eu não faço ideia.

— Mas você ia lá e não me diria!

Seus olhos estão escuros, não de raiva apenas... mas de mágoa. De insegurança.

— Vegas, calma. — Tento tocá-lo, mas ele se afasta e seu ato queima meu peito.

— O que você fez enquanto eu estava fora?

Sua voz sai baixa, mas cheia de peso.

— Ei... Você precisa respirar.

Mas ele não respira. Não como deveria. Ele engole o ar, engole o choro, engole as palavras que o machucam. O elevador avisa que chegamos ao andar final. Ele sai antes mesmo das portas abrirem por completo.

— Vegas... Fale comigo. — Corro atrás dele, alcanço seu braço. Ele se vira com o toque, mas se solta.

O rosto dele está vermelho, os olhos brilhando como se as lágrimas lutassem para sair, mas ele não deixa.

Mentiras - VegasPeteHistórias para pegar e não largar. Descubra agora