72. Verdade

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Macau me segura, puxando-me para longe.

A mente um borrão, o coração acelerado.

— Vegas, vamos, você precisa sair daqui agora. — Ele fala, me apoiando com força.

— Pete... — Murmuro, a garganta ardendo. — Pete, ele vai ficar lá... com o Azuma...

— O Nop está lá. Ele não vai deixar nada acontecer, vamos. — Insiste, levando-me para o carro.

Mas então...

— Vegas!

A voz. A minha voz preferida. Viro-me no mesmo instante. Pete está a correr, o olhar desesperado, perdido, como se só agora tivesse voltado para mim.

— Vegas! — Repete, já chegando perto.

Quando me alcança, desabo. Não penso. Não controlo. Apenas jogo-me nos braços dele com a dor a rasgar a garganta.

— Pete... — Minha voz falha e as lágrimas escorrem. — Eu fiquei com tanto medo...

— Desculpa-me... — Sussurra, apertando meu corpo contra o dele. — Eu devia ter ido até você. Porra, desculpa-me...

— Ele podia ter feito algo contigo...

— Eu perdi o controle. Eu só... vi-o a dizer aquelas merdas e... Vegas, eu queria acabar com ele, por você. Eu não pensei. Não pensei em nada.

— Eu achei que ia perder-te...

— Estou contigo agora. — A voz dele quebra, abafada contra o meu ombro. — Desculpa-me por não te proteger como devia. Por te colocar nessa maldita situação.

— Não é culpa tua. — Minha garganta aperta de novo. — É minha... Eu sempre coloco em perigo quem me cerca. — Pete abraça-me com mais força. — Desculpa-me!

— Não... — Minha voz sai embargada. Estou cansado, sentindo o peso mental. — Eu... senti-me sozinho... com medo... e... — Minha garganta aperta de novo. — E se ele te dissesse sobre o contrato?

Sinto minha cabeça girar. Pete afasta-se um pouco, olhando-me nos olhos, segurando meu rosto em suas mãos.

— Que contrato?

Engulo em seco. O pânico consome-me. Mas não posso. Não agora. Tremo, lágrimas ainda a cair, e desvio o olhar.

— Vegas...

— Eu... eu não queria que fosse assim. Eu só queria proteger-te... eu só queria ficar contigo...

— Ei... estou aqui.

— Eu amo-te... — Digo, com o coração apertado, entre soluços e o medo sufocante. O desespero de expressar o que sinto como se fosse a última vez.

Pete trava. Sinto o corpo dele tencionar, os olhos arregalam. Ele não responde. Não pisca. Não respira.

— Eu amo-te, Pete... — Repito, mais baixo, quase desesperado. — Por favor, não vás embora... não me deixes...

Ele continua em silêncio, a encarar-me. Sinto uma pontada forte na cabeça. Aperto os olhos, escuto um zumbido e então não ouço nem sinto mais nada. Perco a consciência.

--- 🕛 ---

Acordo com a garganta seca. Meus olhos demoram a focar e a primeira imagem que vejo é a dele. Pete está sentado ao meu lado, segurando um copo de água.

— Ei... — Sua voz é baixa, calma. — Bebe um pouco.

Apoio-me com dificuldade no travesseiro. Meus músculos doem, meu corpo ainda parece pesado. Ele ajuda-me com cuidado, encostando o copo nos meus lábios.

Mentiras - VegasPeteHistórias para pegar e não largar. Descubra agora