70. Passado

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Meus amores, o capítulo está... bem pesado emocionalmente. Peço que, se não estiverem bem, é melhor ler em um outro momento. A história por trás do passado do Vegas está longe de ser doce...

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Pete não quis fazer mais nada durante o restante do dia. Apenas ficou deitado, em silêncio, se levantando apenas para ir ao banheiro ou comer algo.

Eu não quis forçar. Não tentei conversar, não puxei assunto, apenas o deixei descansar. 

Vovô também não quis sair do quarto. Talvez estivesse respeitando o espaço do Pete.

Desci para ver Porsche e passei um tempo com Nop e Arm. O clima lá embaixo era mais leve, mas minha mente insistia em voltar para ele. Quando subi para dormir, Pete já estava encolhido debaixo do edredom.

No dia seguinte, ele acordou antes de mim. Quando abri os olhos, Pete já estava completamente vestido, fechando os botões do blazer.

— Ei... — Murmuro, com a voz rouca de sono. — Você ia me deixar aqui de novo?

Ele se vira, um pequeno sorriso nos lábios, e caminha até o meu lado. Seu cabelo ainda está úmido, o perfume forte, tudo nele me dava vontade de puxá-lo de volta para a cama.

— Bom dia, lindo. — Disse, inclinando-se para beijar minha bochecha. Seus dedos tocam de leve meu rosto.

— Bom dia... — Murmuro, ainda meio sonolento.

— Se arrume. Eu já volto para tomarmos café juntos. — Ele se levanta.

— Vai aonde? — Pergunto, coçando os olhos.

Ele já está na porta, mas vira-se para mim.

— Ver meu cachorrinho. — Responde, piscando.

Eu sabia que ele estava falando de Porsche. Embora eu não concorde com seu jeito de tratá-lo, pelo menos ele decidiu ir vê-lo.

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Saio do quarto ajustando a camisa. Sinto o cheiro de café. Na cozinha, Vovô está de costas para mim, terminando de pôr a mesa.

— Bom dia, querido. — Diz, virando-se com um leve sorriso.

— Bom dia, Vovô. — Aproximo-me e o abraço, deixando um beijo em sua bochecha.

— Seu namorado foi ver o irmão? — Pergunta, enquanto começa a me servir.

— Sim. Ele acordou mais disposto hoje. — Sento-me, mexendo a colher no café. — Isso me deixa um pouco mais tranquilo.

— Ele está crescendo rápido demais. — Sorri, um pouco triste, sentando-se à minha frente. — E você? Vai à empresa hoje?

— Sim, não quero deixar Pete sozinho. Se ele quer focar no trabalho, estarei ao seu lado.

— Eu concordo com sua decisão, mas... — Ele diz, com os olhos no café. — Vegas... fica um pouco mais comigo antes de ir?

— Claro. Aconteceu alguma coisa?

Ele respira fundo, apoiando os cotovelos na mesa.

— Nada que já não tenha acontecido há muito tempo... — Responde, baixo. — Mas é hora de conversarmos sobre isso. Já passou da hora.

— Está me deixando preocupado, Vovô. — Tomo a mesma postura que a sua.

— Não se preocupe, eu...

A porta da entrada abre-se, chamando nossa atenção. Pete passa por ela. Instintivamente, meus olhos correm até os dele, buscando qualquer sinal de desconforto, qualquer rastro da noite anterior, do que foi dito, do que ficou suspenso no ar. Mas ele não apresenta nada disso. Seu olhar é sereno. 

Mentiras - VegasPeteHistórias para pegar e não largar. Descubra agora