71. Sequestro

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⚠️ Por favor, se estiverem frágil emocionalmente, não leiam. ⚠️

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Quando acordei naquela manhã, senti o corpo descarregado, a cabeça latejava em pulsações finas, como trovões em dia de  chuva.

Em minhas costas, pesava a tempestade da noite anterior. Aquela que desabou em lágrimas silenciosas. 

No banheiro, após o banho, decidi vestir a máscara novamente. Eu não gostava daquilo, mas enfrentar a verdade estava sendo um impasse.

Eu não fingi completamente para Vegas, uma parte minha se sentia leve, mas a outra... estava sufocada. Talvez por isso, não tenha sido tão difícil enganar meu namorado.

Antes dele acordar, eu havia me abaixado ao seu lado na cama.

Dedilhei os traços do seu belo rosto marcado e sussurrei pedidos de desculpas.

Eu preciso contar a ele o que fiz lá atrás. Sinto que a cada dia que avançamos, a culpa me faz retroceder recuar alguns passos.

Como posso cobrar verdades quando eu mesmo conto mentiras?

A hipocrisia sempre caminhou do meu lado, como uma maldita sombra venenosa.

A dor da consciência é um peso que jamais poderá ser medida, apenas sentida. E para cada um, há um naufrágio diferente diante desse barco.

Eu gostaria de lhe dizer sobre o quanto me arrependo daquela maldita decisão e implorar por perdão, se necessário, mas como eu posso afastá-lo agora?

Justo quando tenho que lidar com um passado que insiste em estar no meu presente? Com um laço que não era desejado, mas que agora parece percorrer bem mais que um sangue nas veias?

Eu não posso lidar com isso sozinho, então escolho ser egoísta mais uma vez.

Dentro de elevador, enquanto descia para ver Porsche, sentia o anseio crescer no pé da barriga, meu coração denunciou sua alteração mais do que eu gostaria.

Por que eu me sentia nervoso por aquilo? Estaria tão sensível ao ponto de não me controlar mais?

Eu não podia estar tão entregue àquela situação. O choro incontrolável na noite anterior, era um sinal claro de que eu não aguentava mais.

Estava difícil suportar segurar tantas coisas, tantos sentimentos, tantas emoções e reações.

Eu não estava mais reagindo com agressão, não desejava me machucar como auto castigo, também não sentia vontade de torturar o Porsche para alívio próprio.

Naquele momento, eu me procurava entre o antigo Pete e o atual. Eu não sabia mais quem estava sendo ou seguindo, mas de alguma maneira, não era tão ruim.

Tankhun me recebeu com sua euforia costumeira. Seus olhos denunciaram a felicidade que era para ele me ver.

Seu pedido de abraço foi permitido com um aceno breve.

Encontrei com Kinn saindo do quarto. Ele suspirou ao encontrar com os meus olhos.

Guardei as mãos no bolso, como uma ato proteção.

— Pete, eu queria mesmo ver-te. — Disse, aproximando-se. Sua postura estava relaxada.

— Não deixe o Vegas ouvir isso. — Pensei em voz alta, sincero. — Nada contra você, apenas não desejo morrer ainda.

Ele riu de leve, mas não foi uma piada.

— Sinto muito pelo que causei ao casal. Também me arrependo pela forma como te tratei. Estava desesperado e a sua postura... — Fez uma careta. — É irritante quando você não se importa.

Mentiras - VegasPeteHistórias para pegar e não largar. Descubra agora