Acordo com o gosto da culpa preso na garganta.
O Sol ilumina o quarto, mas dentro de mim, tudo ainda está escuro.
O pesadelo... não era só um sonho. Eu me lembro.
Eu falei.
Eu destruí ele. Nós.
A cama está vazia, assim como o quarto.
Meu peito aperta de novo e eu levanto em um pulo, ignorando a dor latejante na cabeça.
Pete não pode ter ido embora. Ele está aqui. Precisa estar.
Penso no escritório, me agarro ao mínimo fio de esperança.
Corro.
Quando abro a porta, o vejo. Meu coração falha.
Sentado à mesa, os olhos estão baixos, fixos em algo sobre ela.
O rosto está vermelho, mas não há lágrimas.
Com o corpo trêmulo, o coração acelerado e com a ansiedade crescendo na barriga, me aproximo devagar. Quase arrastando meus pés.
Paro ao lado dele, ergo a mão, mas a desisto no caminho. Sem saber se tenho direito até disso.
Ele inspira fundo, então levanta-se devagar.
E é nesse momento que nossos olhos voltam a se encontrar, colidindo como um choque de realidade assustador. Meu peito se aperta em agonia, medo, receio e angústia.
Diferente de antes, não há mais brilho neles. Estão opacos, esgotados, cansados, exaustos, profundamente negros perdidos no mar da dor.
O oceano jamais chegaria perto das águas que se formam, teimosamente insistindo em querer partir em direção à saída, porém impedida pelo dono das íris que até ontem, alegrava-se ao me ver.
Com todas as emoções esmagadoras que agora me sufocam, meu foco está centrado na minha outra metade à minha frente. Eu não quero perdê-lo.
— Ontem eu recebi um envelope na empresa. — Diz, com a voz neutra, controlada. — Não tive tempo de abrir... porque o Macau me ligou, avisando do seu sumiço.
Congelo.
Minha respiração falha.
Pete ergue um papel até a altura dos meus olhos. Eu encaro.
É o contrato.
A proposta.
Minha assinatura.
Minhas mãos tremem. O ar some dos meus pulmões. O ardume rasga a garganta.
Pete analisa meu rosto.
— Esse é o preço do meu amor? — Pergunta, tão calmo que me desespera.
Sinto o corpo perder a força.
A garganta fechar.
Eu não consigo olhar para ele.
Meu reflexo nos olhos dele não existe mais.
— Pete... — Minha voz falha. — Por favor... me escuta...
Quero tocá-lo, mas minha mão não se atreve. Ele não recua e também não responde.
— Isso... isso foi antes. Antes de te conhecer, antes de te amar. Eu...
Respiro fundo. Sinto que vou desabar a qualquer segundo.
— Eu fui manipulado. Azuma... Eu nem sei por onde começar... Me perdoa, por favor...
Ele volta o papel para si mesmo.
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Mentiras - VegasPete
Fanfiction⚠️ Essa fic está em processo de revisão. Mentira e amor, ambos caminhando lado a lado. Uma história de mistério onde Vegas, aparentemente é aberto demais, enquanto Pete parece guardar segredos de todos. Uma teia desastrosa os envolve os levando dire...
