35. Obrigado

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O Pete mencionou que a cidade é pequena, e realmente é. Caminhar pelas ruas é confortável, já que as pessoas são tranquilas e amáveis. 

Elas saúdam com um sorriso encantador nos lábios ao passarmos. Mesmo sendo cerca de 15:00 horas, o Sol não está tão resplandecente quanto pela manhã, nem tão quente. Se o céu não estivesse tão claro, poderia dizer que choveria. Por favor, não.

Acho que ainda não me acostumei com o Pete segurando minha mão. Após o ocorrido ontem, acredito que ele se sinta mais confortável para me mostrar o que sente, já que se permitiu mostrar sua dor. 

Eu gosto disso. Gosto de como ele está mais leve, ainda que seus olhos estejam pesados. O Pete consegue sorrir mais vezes em um dia do que o vi em semanas. Bem, infelizmente nem todos são para mim, mas ainda assim é uma grande conquista. Eu desejo que ele possa passar por tudo isso e sair muito bem.

Chegamos. O mercado é pequeno e simples, muito bem organizado. As mercadorias estão em prateleiras básicas e de fácil acesso. As cores do ambiente são calmas e acolhedoras. Não vejo funcionários além de uma senhora no caixa. 

O Pete pega uma cesta na entrada. Há apenas alguns pequenos corredores. Caminhamos por eles enquanto o Pete pega o que acha necessário. Eu não opino, pois não sou eu quem cozinho.

Mas agora eu quero opinar. Estamos na minha seção favorita, a dos salgadinhos.

— Quero esse. — Aponto para o pacote na prateleira. Sinto um sorriso surgir só de imaginar comê-lo.

O Pete se aproxima por trás para olhar o motivo da minha fala.

— Isso faz mal. — Temo virar o rosto e acabar encostando em sua bochecha. Ele está tão perto que traz de volta aquele frio na barriga.

— Mas são gostosos... — O olho de relance, fazendo um bico. Poxa, eu quero. Crio várias imagens comendo o salgadinho.

— Não deveria comer porcarias. — Afasta-se para pegar o que precisa.

— Você disse que eu poderia escolher o que eu quisesse. — O lembro de suas palavras antes de sairmos da pousada. Me viro para ele.

— Achei que fosse algo comestível. — Pete está lendo a embalagem de algum item.

— Mas são. — Me aproximo para olhá-lo nos olhos.

— Escolha outra coisa. — Coloca o objeto que segura em suas mãos na cesta.

— Macarrão instantâneo. — Volto a me animar. Faz tempo que não como e confesso sentir falta.

— Não é possível. Você não come algo mais saudável? — Coloca a mão na cintura.

— Eu só comia isso. — Dou de ombros.

— Como assim?! Vegas, você não pode se alimentar somente de porcarias.

— Não são porcarias, são de comer. — Acabo por fazer um bico torto, pois comida é comida, independente do mal que faça.

— Inacreditável.

— Mas você disse que eu podia pegar o que quisesse...

— Argh, coloque na cesta.

— Oba! Posso pegar mais de um?

— Faça o que quiser.

Aproveito e pego muitos. Faz muito tempo que não os como, preciso recompensar o tempo perdido. Ele também me deixa pegar o macarrão instantâneo.

Estou admirado com o quão leve ele parece estar. Claro, seus olhos ainda pesam, mas sua postura não demonstra; seu corpo parece relaxado enquanto faz algo simples como comprar em um mercadinho. Imagino que deva estar sendo uma experiência boa ou nostálgica, visto que ele não pode fazer isto em Bangkok. 

Mentiras - VegasPeteHistórias para pegar e não largar. Descubra agora