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Mentira e amor, ambos caminhando lado a lado. Uma história de mistério onde Vegas, aparentemente é aberto demais, enquanto Pete parece guardar segredos de todos. Uma teia desastrosa os envolve os levando dire...
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Para alguém cuja vida se encarregou de sobrecarregá-lo com todos os turbilhões de emoções, sentimentos, traumas e medos, é difícil reconhecer o cuidado.
É complicado compreender que nem tudo é sobre fardos ou pesos. A razão tem dificuldade para entender o que é receber.
Entre a culpa e o cuidado, se encontra uma corda que, embora agora conheça suas mãos, também já marcou seu pescoço.
Você não sente que merece, tampouco deseja conhecer. Você sufoca e continua até que seu próprio corpo te sufoque. É como dar e receber.
Uma vez que machuca seu corpo, ele também irá te machucar, não para se vingar, mas para te mostrar que, assim como você, ele também não merece sofrer.
Cuide-se e, quando não souber como, aceite ser cuidado. Diga um foda-se para qualquer sentimento que te diga que você não merece, pois um dia ele também se sentiu rejeitado por alguém que te fez acreditar no mesmo.
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— Desligou... Ele desligou... Nop. — Vegas diz, com a voz trêmula.
— Vai ver caiu a ligação. — Já fechei as janelas e puxei as cortinas.
— Ele... E se algo aconteceu? — O medo é palpável no tom.
— É o Pete, mais fácil ele causar algo. — O quarto está sendo iluminado apenas por nossos celulares. O que me preocupa é justamente o que ele é capaz de fazer. Pelo menos eu sei que ele vai largar tudo para vir para cá, então eu só preciso esperar e tentar acalmar o Vegas até lá.
Eu mal enxergo alguma coisa. Vegas está sentado, encolhido no meio da cama, coberto pelo edredom. O medo surgiu assim que o estrondo ecoou pelo céu, trazendo o apagão. E, assim que a ventania adentrou as janelas da sala, eu corri com ele para o quarto. A chuva derrama forte lá fora e, com ela, algumas rajadas de trovão. O corpo dele sofre o impacto através de espasmos.
— Aí, cara, vai ficar tudo bem. — Me junto a ele na cama.
— Eu... Estou com medo. — De perto, consigo ver as lágrimas molharem o rosto dele.
— Compartilha a coberta. — Ainda trêmulo, ele me ajuda a me cobrir. Passo o edredom por cima das nossas cabeças, como se a gente estivesse se escondendo.
— Nop... Está mais escuro aqui. — A respiração dele está meio pesada.
— Shiii. Aqui ninguém vai pegar a gente. — Sussurro, como se fosse um segredo.
Coloco a lanterna sobre a cama; agora só conseguimos ver o rosto um do outro. Ele abraça as pernas e treme quando outro trovão surge no ar.
— Estou com medo. — Ele está com falta de ar. — Minha cabeça não se cala... — Ele enterra a cabeça em meu ombro e eu o abraço de lado.