A revelação, capítulo 25

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Eu não faço ideia do que seja essa coisa que Weston quer me mostrar, mas aceito ir com ele mesmo assim

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Eu não faço ideia do que seja essa coisa que Weston quer me mostrar, mas aceito ir com ele mesmo assim. Estou um pouco nervosa, preciso admitir. A noite se tornou tão estranha e caótica, e tenho a sensação de que alguma coisa está prestes a explodir e acabar com tudo.

Não consigo imaginar como Weston está se sentindo nesse momento. Eu não sabia que o tal amigo traidor que fez da vida dele um inferno trabalhava no mesmo hospital que ele, então não passava pela minha cabeça que poderíamos dar de cara com o dito cujo esta noite. Pelo visto, isso também não passou pela cabeça de Weston, caso contrário, tenho certeza que ele teria preferido ficar em casa.

Mas alguma coisa me diz que a pior parte foi ele ter revisto a sua ex. Deve ter sido muito estranho, desconfortável, ver a mulher que ele amava — ama? — nos braços de outro, do cara que ele confiou, e ainda por cima grávida! Eu só consigo sentir nojo daqueles dois, e raiva pelo que fizeram com Weston. Ele não merecia ser traído desse jeito, e ver a dor em seus olhos, a vulnerabilidade, me desarmou completamente, porque não sei o que fazer para melhorar a situação.

De uma coisa eu tenho certeza: não tenho muito pra falar, mas se ele quiser me manter por perto, se quiser que eu seja seu alicerce, sua âncora, eu serei de bom grado.

A sala é iluminada quando ele aciona o interruptor, mas o cômodo parece frio e hostil. A chuva continua intensa lá fora, quase melancólica, contrastando com o humor de Weston. Percebo que ele evita me olhar nos olhos, tem medo de expor os seus sentimentos mais sombrios e profundos, mas ele não precisa ter medo de se abrir comigo. Estou aqui para ampará-lo, mas não quero pressioná-lo; quero que ele se sinta à vontade para revelar as suas dores para que possamos encontrar um antídoto para cicatrizá-las.

Weston finalmente olha para mim. Ele apenas comprime os lábios em uma linha rígida e inclina a cabeça para o corredor que leva aos quartos.

— Por aqui.

Ele vai na frente, tirando o paletó, e eu vou logo atrás, a alguns passos de distância. Com uma camada a menos de roupas, consigo perceber o quão tenso ele está por baixo da camisa social. Parece que seus ombros foram substituídos por pedras, totalmente impenetráveis.

— Espere aqui — instrui ele, antes de entrar no próprio quarto e me deixar sozinha no corredor.

Eu apenas o espero, com o coração batendo forte e o nervosismo torcendo as entranhas, até que ele surge alguns minutos depois sem o paletó, com as mangas da camisa arregaçadas e uma chave na mão. A luz que vem da sala reflete brevemente sobre o seu rosto, e só então consigo perceber o quanto ele parece exausto, e não só fisicamente.

Weston para na porta de frente para o seu quarto, parecendo um pouco arrasado. Fico apreensiva, e quando estou prestes a falar alguma coisa, ele apenas balança a cabeça e enfia a chave na fechadura. O corpo de Weston está bloqueando a visão, mesmo depois que ele acende a luz. Então, lentamente, ele se afasta da porta, e o que eu vejo do outro lado me tira todo o fôlego. Dou um passo à frente, e depois outro, e é como se eu pudesse sentir a tristeza do homem aqui presente, as peças do quebra-cabeça finalmente se encaixando…

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