capítulo 36

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Caixa postal

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Caixa postal. 

Mais uma vez. 

Olho para a tela do celular com a testa franzida. Foram quantas ligações não atendidas em um curto período de sete dias? E por que as que foram atendidas pareciam ser contra à vontade? 

É essa a impressão que tenho tido na última semana… de que Quinn não tem a menor vontade de continuar em contato comigo. No início, achei que ela apenas estivesse tendo um dia ruim, porque não havia o menor motivo para ela estar sendo tão ríspida, ou até mesmo extremamente vaga em nossas trocas de mensagens — que ela demorava horas para responder. Mas o dia ruim se tornou dias, e agora estou ficando realmente preocupado. 

O que diabos está acontecendo? Estávamos bem, muito bem, aliás. Eu a convidei para assistir um jogo no meu apartamento, com a presença do meu irmão, e estava sendo divertido… ela estava rindo, parecia à vontade, feliz… até ficar completamente em silêncio de uma hora para outra, parecendo triste e distante. Eu perguntei se havia acontecido algo antes de nos despedirmos em sua porta, mas ela apenas esboçou um sorriso forçado, sem olhar para mim de fato, e entrou sem me dar a chance de lhe dar um beijo de despedida. 

— Então, simples assim, ela parou de falar contigo? — resume o meu irmão, depois de eu explanar o que tem me preocupado nos últimos dias.

— Simples assim — afirmo, mantendo uma velocidade estável na esteira. Meu peito está ardendo, mas não vou parar agora, pois preciso me distrair um pouco. 

— O que você fez? — pergunta ele em tom acusatório. 

Franzo o cenho. 

— Estou me perguntando o mesmo. Não consigo pensar em nada. 

— Bom, talvez ela tenha se dado conta que você é um idiota. 

Reviro os olhos. 

— Se ela não quer mais você, será que eu poderia…?

Lanço um olhar muito feio na direção do meu irmão, e perco o equilíbrio sobre a esteira por um instante; é necessário me segurar para não cair. 

Dominic solta uma risadinha.

— Cara, você tá mesmo apaixonado, hein?

— Vai se ferrar, Dominic. 

— Relaxa, cara. Você tá precisando sorrir um pouco, tá muito carrancudo… quer dizer, mais que o normal. 

Reviro os olhos, sentindo o suor escorrer pelas minhas costas. 

— Olha, eu não sou bom em conselhos, normalmente esse é o seu papel — emenda ele. — Mas se quer saber o que eu acho, as mulheres ficam estranhas do nada, e elas esperam que a gente saiba o motivo. Resumindo: fizemos algo de errado, mesmo que não saibamos disso, e elas esperam que a gente se dê conta e faça um grandioso pedido de desculpas com um buquê de flores e chocolates e todas essas merdas românticas.

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